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BRASIL, Sudeste, Homem, de 36 a 45 anos, Arte e cultura, Viagens



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    Pensamentos nem tão profundos
     

    restaurantes



     
     

    Sabores do Norte

     

     

    Como esperado, Belém me agradou muito mais do que Manaus. A cidade é maior, com mais atrativos e (um pouco) mais cosmopolita. Hospedei-me no centro (o hotel – Tullip Inn Nazaré é bem razoável, dando apenas para o gasto) e pude andar um pouco pela cidade (o que não consegui fazer em Manaus, ilhado que estava no Hotel Tropical).

    Tudo bem que para gostar do Mercado Ver-o-Peso é preciso ser complacente com a sujeira e a bagunça do entorno, que a Estação das Docas é exatamente o que esperava ver (uma versão tupiniquim de Puerto Madero, em Buenos Aires) e que os serviços, apesar da cordialidade e da simpatia, não sejam lá essas coisas. Tive agradáveis surpresas como o Mangal das Garças – belíssimo complexo de restaurante, mirante, borboletário, museu, orquidário e santuário de aves (garças, guarás, flamingos, jaburus) – e, principalmente, com o Remanso do Bosque, o restaurante top da cidade, segunda casa dos irmãos Castanho, dois jovens e badalados chefs de cozinha (é deles também o Remanso do Peixe, com outra proposta, mas igualmente elogiado), a respeito dos quais eu já havia lido bastante e cujo trabalho estava curiosíssimo para conhecer.

    Não exagero em dizer que no Remanso do Bosque, inaugurado em dezembro de 2011, tive uma das melhores experiências gastronômicas de minha vida (talvez a melhor no Brasil), por menos da metade do preço que me seria cobrado em um restaurante de primeira linha do sudeste. Um menu-degustação de primeiríssima qualidade, com excepcional uso dos ingredientes locais, pratos apresentados com requinte, leveza e capricho, por R$ 130,00. No dia em que fui, esta era a seqüência:


    Agora as imagens, na seqüência exata do cardápio:


    A Vânia, que não estava com este apetite todo, preferiu escolher uma entrada e um prato do cardápio – o que, ao contrário da maioria dos lugares, que exige que o menu-degustação seja servido para ao menos dois comensais, era permitido – e assim experimentei os anéis de lula mais macios e saborosos que já provei, impecavelmente empanados com queijo coalho.

    De sobremesa, “Textura de Chocolate da Ilha do Combú” (que fica na Baía do Guajará, em frente a Belém) feita de chocolate artesanal, 100% de cacau, extremamente saboroso e marcante. Um fecho de ouro.


    Devido ao calor inclemente da cidade e por ser fã das frutas “da terra” (cupuaçu, taperebá, bacuri, etc.), deixei o vinho de lado. Inexplicavelmente o restaurante – como de resto quase a totalidade dos lugares que fui – não oferecem as caipis de frutas frescas, mas apenas de polpa. Gostosas, sem dúvida, mas acho que valeria a pena investir nisso e atender melhor o turista sedento pelos sabores frescos do norte. Em compensação, tomei uma caipirinha legítima (de limão), adoçada com rapadura, que estava impecável.


    Foram menos de 48 horas em Belém, cidade que merece bem mais do que isso. Como tem muita coisa que quero conhecer por lá e pelos arredores (a Ilha de Marajó, por exemplo) pretendo voltar. Certamente retornarei ao Remanso do Bosque e, por isso, torço para que a casa tenha uma longa trajetória, fazendo jus ao promissor primeiro ano.



    Escrito por Bruno Rabello às 13h15
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    O jantar no melhor restaurante do mundo

     

    POST CONTINUAÇÃO DO ANTERIOR.

    Devidamente acomodados, recebemos uma breve explanação do que iríamos encarar naquela noite: inicialmente nos seriam servidos 12 entradas em porções pequenas, que deveriam ser comidas com as próprias mãos, em uma ou duas mordidas, concebidas para serem servidas em um ritmo acelerado, não como forma de nos apressar, mas para que vivenciássemos de maneira mais intensa a combinação de diferentes sabores texturas e temperaturas; em seguida, os pratos principais em porções maiores e após as sobremesas, totalizando 22 pratos. Dito isso, arrematou: “E a primeira das entradas, já está na frente de vocês”, apontando para o pequeno vaso de plantas da foto, mais especificamente para as duas raízes escuras, que na verdade eram grissinis de malte e que deveriam ser saboreadas com um creme amanteigado (ou manteiga cremosa) que também já se encontrava na mesa.


    Esta primeira entrada – e a forma como ela nos foi apresentada - dava o tom da noite: lúdica, surpreendente, inventiva e incomparável. Tenho que confessar que não tenho talento suficiente para descrever cada um dos pratos que chegaram à mesa e, mais do que isso, muitas vezes sequer entendia o que chegava. Apesar de ter pedido o cardápio, fui informado de que só iria recebê-lo após o jantar (a surpresa fazia parte do ritual!). Embora a equipe tentasse explicar os pratos, barreiras de idioma e minha ignorância a respeito de vários dos ingredientes acabavam dificultando a compreensão.

    Entre as saborosas brincadeiras, destaque para o vasinho de barro com terra, de onde brotavam folhas verdes. Na verdade, a terra era uma farofa de castanha caramelada e de lá deveríamos colher os legumes (cenoura e rabanetes) que, mordidos, espalhavam um creme grosso à base de iogurte:


     

    E para a bandeja cheia de conchas de mexilhões e na qual, seguindo a linha do “nada é o que parece ser”, se destacavam duas mais escuras que eram comestíveis (sim, não eram conchas, mas chips de algo delicioso – o cardápio fala apenas “blue chip” – que até agora não sei bem o que é):


    E o ovo que nós mesmos éramos instruídos a fritar, na própria mesa, misturando com algumas ervas frescas e um molho especial. Após comermos este prato, o garçom, solícito, pergunta se estava bom e diante da resposta afirmativa replica: “se não estivesse, vocês não poderiam reclamar, já que foram vocês que o prepararam!”!


    Ovos de codornas defumados, servidos dentro de um ovo de porcelana e sobre uma cama de capim seco. Ao abrir a porcelana, fumaça saía de lá de dentro (dando outro sentido à palavra defumado); ao morder o ovo, percebia-se que não era apenas uma gema que o recheava.


    Preocupado com o preço da brincadeira – e com a possibilidade de ter que vender um rim para pagar a conta – havia escolhido um dos vinhos mais “em conta” da longa carta, um branco, bem gostoso, que agora já não me recordo o valor ou o nome. Entusiasmados, a garrafa logo se acabou e acabei deixando que os garçons escolhessem a segunda, um tinto, pouca coisa mais cara...

    Vieiras desitradas, torresmo com capa de groselha, musgos fritos, tartar, caranguejos desfiados, ervilhas frescas e fermentadas servidas com chá verde, aspargos verdes e brancos assados, pele de galinha recheada com queijo de cabra, sonhos de peixe, peixe assado (turbot, pescado somente naquela época do ano, segundo nos foi dito) com cogumelos... Impossível descrever tudo com fidelidade. A experiência é sobretudo sensorial e tátil.


    Por fim, as sobremesas, completamente diferentes das que estamos habituados: a primeira, à base de ruibarbo e coalhada e a segunda, pêra caramelizada acompanhada por uma parfait (parece uma esponja) de pinheiro. Como a Vânia não gostou de nenhuma das duas – ela esperava por sobremesas doces, à base de chocolate e cremes e estas eram mais para ácidas – e eu fiz o tremendo sacrifício de comer boa parte delas.


    Eis que, depois de tudo isso, um balde metálico é colocado na mesa e somos informados de que se tratava de um mimo, que não constava do cardápio (já havíamos encerrado o programa de 22 pratos). Ao abrir, uma tremenda e agradável surpresa: duas nhá-bentas!! (sim, com direito a dois pontos de exclamação).

    Tenho que fazer uma outra confissão: ao saber que eu estava indo para Copenhagen, muita gente brincou me pedindo para trazer nhá-benta. Na quarta ou quinta vez que ouvi a piada, comecei a achar sem graça. Isso porque eu nunca soube que nhá-benta era realmente uma sobremesa dinamarquesa, achava que era um doce vendido apenas nas lojas de mesmo nome. Um fecho de ouro - prosaico e tradicional - para uma noite tão inventiva e inusitada. 


    Tentando sintetizar o que foi aquela noite, acho que o Noma é a Disneylândia – ou, mais apropriado, o Tívoli – da gastronomia. Uma enorme, excitante e, claro, deliciosa brincadeira para quem preza a boa comida. Se houve um ou outro prato sem graça, o saldo final é altamente positivo. Por trás de tanta brincadeira, muita seriedade e competência. Se é ou não o “melhor restaurante do mundo”, eu não sei dizer. Certo é que lá vivi uma noite memorável, talvez a melhor que já passei em um restaurante.


    P.S.: O ingresso para este “parque de diversões” é caro. Absurdamente caro, dirão alguns. Certamente menos do que pagaria nas melhores casas do Brasil, atestariam outros. Fico constrangido em revelar o preço e se o faço é unicamente com a intenção de prestar a informação. Tudo (gorjeta e duas garrafas de vinho incluídos) custaram USD 750,00. Valeu? Não me arrependo nem um tiquinho.

    P.S.2: O nome do chef responsável por tudo isso é René Redzepi. Seria uma injustiça escrever tanto sobre seu restaurante, sem mencioná-lo. Apesar de que, nesta era de chefs celebridades, parece-me um bom sinal quando o restaurante chama mais a atenção do que o nome do chef.



    Escrito por Bruno Rabello às 09h40
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    Uma noite no melhor restaurante do mundo

     

     

    Sempre associei viagem à gastronomia. Conhecer um novo lugar sem descobrir novos sabores é algo que não consigo conceber e quando penso nos lugares que quero visitar, sempre me vem à mente a comida local, as de restaurante e também as comidas de rua. 

    Assim, quando o Noma foi eleito “o melhor restaurante do mundo”, em 2010, ele imediatamente virou objeto de desejo, mas daqueles que eu tinha como quase inalcançável. Gosto de comer bem, mas nem sempre me disponho a pagar caro por isso. E me sinto ultrajado quando saio de um restaurante com a sensação de que o alto preço foi injusto. E por “injusto” entenda-se o excessivo e o injustificável, não necessariamente o muito caro.

    No Brasil ainda não me dispus a conhecer as casas do Rogério Fasano (Gero Fasano ou Fasano Al Mare) ou o D.O.M. (do chef Alex Atala e que vem se tornando habitué destas listas de “melhores”). Pouquíssimas vezes jantei no Vecchio Sogno, o campeão de Belo Horizonte. Não por duvidar da qualidade destes restaurantes, mas por suspeitar (e admito que posso estar sendo leviano) que o preço cobrado é daqueles que tenho por injustificados. Por outro lado, já falei aqui sobre minha experiência no restaurante da chef Roberta Sudbrack, registrando que o que me seduziu lá foi a inventividade no uso dos ingredientes e a opção preferencial por produtos tipicamente brasileiros (o caviar de quiabo, a ostra vegetal, etc.).

    Ao marcar a viagem, o Noma havia conquistado o bi-campeonato. As dificuldades de se fazer uma reserva eram grandes. O site informava que reservas para maio só seriam aceitas a partir de fevereiro. Programei-me para estar on line no dia do início das reservas, mas mesmo assim a primeira tentativa revelou-se frustrada (queria a noite de 5a-feira, minha última em Copenhagen). Fiz uma segunda tentativa para 3a-feira e uma mensagem ambígua apareceu: pré-reserva aceita, eu deveria aguardar e-mail com maiores instruções.

    Para minha agradável surpresa não demorou muito para o tal e-mail chegar. Seu teor, contudo, era um tanto intimidador: pediam os dados do cartão de crédito! A mensagem era subliminar e evidente ao mesmo tempo: se você não comparecer, pagará a conta do mesmo jeito ou “somos o melhor restaurante do mundo e se quiser vir nos conhecer, é assim que funcionamos” .

    O que fazer? Eu queria garantir a reserva mas não queria comprometer minhas economias desde logo. Não esperava por aquilo, naquele momento. Abri a calculadora do computador, um site de cotação de moedas e fiz as contas da experiência. Obviamente salgadíssima. E com o fator risco embutido (e se alguma coisa acontecesse nos quase 4 meses entre a reserva e a data agendada que inviabilizasse minha visita?). Racionalmente o correto seria deixar de lado este negócio, contentar-me em gastar muito menos em diversos outros bons restaurantes e de sobra economizar um pouco. Afinal, este negócio de “melhor restaurante do mundo” é obviamente uma jogada de marketing. Ótimo marketing por sinal, pois por mais que eu tentasse me convencer a não ir, eu só me via pensando se e quando eu teria outra oportunidade. O arrepender de não ter tido esta experiência não iria me torturar no futuro? Mesmo reconhecendo que esse papo de "melhor do mundo" é marketing, o restaurante deve ser muito bom, não é mesmo?  

    Parei de pensar, resolvi ser impulsivo e num arroubo enviei todos os dados do cartão, além do tipo sanguíneo, filiação, nacionalidade e last but not least informações sobre restrições alimentares (nenhuma!). Sim, pois no “melhor restaurante do mundo” você não escolhe o que vai comer; cabe ao chef esta tarefa. 

    Reserva confirmada, com o aviso de que deveria contactá-los novamente em até 2 semanas antes da minha visita. “Ah bom”! – pensei – “no caso de não confirmação naquele prazo o restaurante terá tempo útil para ocupar o meu lugar e nada terei que pagar”. Mas àquela altura estava decidido e nem cogitava mais desistir! Já durante a viagem leio que pelo terceiro ano consecutivo ele havia sido eleito o “the best” o que só aumentou as expectativas.

    Tentando por tudo em perspectiva e ser um pouco realista, eu vinha matutando sobre o que deveria esperar de um jantar no “melhor restaurante do mundo”, além, é claro, da conta mais cara de toda minha vida. O prato mais saboroso? O ambiente mais refinado? A maior furada em que já entrei (competição difícil)? Claro que ao decidir, já tinha uma pequena noção do que estava por vir, conhecia um pouco sua filosofia: a utilização de produtos fresquíssimos, locais, orgânicos, muitos dos quais cultivados pelo próprio chef e quase sempre cozidos a menos de 42o C, para preservar os nutrientes. Preparo cuidadoso, valorizando os ingredientes. Uma apresentação surpreendente. E, obviamente, muito sabor.

    22 de maio de 2012, 20:30 horas, dizia minha reserva (re)confirmada há duas semanas. O dia tinha sido exaustivo: temperaturas altíssimas longuíssimas caminhadas visita ao Museu Louisiana, à cidade de Helsingor, ao Castelo Kronborg  (cenário da peça Hamlet), travessia de ferry para a Suécia (Helsinborg), visita ao jardim Senoria (considerado um dos mais belos da Europa), volta para a Dinamarca (cerca de uma hora de trem), correria pelo aeroporto de Copenhagen para tentar, sem sucesso, imprimir documento que iria precisar na manhã seguinte. Resultado: só cheguei em casa exausto, sujo e suado às 20:20 e “o melhor restaurante do mundo” teria que me esperar pois eu iria chegar atrasado!

    O Noma estava a poucos quarteirões do nosso apartamento. Não contávamos com o calor senegalês, digo, dinamarquês, que fazia, incompatível com o paletó que eu usava. Ao chegar na porta do restaurante sem ter me identificado fui recebido com um afetuoso “Welcome Mr. Rabello” – sinal de que eu era o último freguês a chegar – emendando com um “Congratulations for your honeymoon” (fazendo-me lembrar que eu havia mentido na ocasião da reserva dizendo que estaria em lua de mel (truque que uso com freqüência)!

    Depois de entregar o meu paletó fomos acomodados em uma das melhores mesas (!) com uma janela de frente para um dos canais de Copenhagen, que começava a escurecer. O restaurante é localizado em um antigo armazém, à beira do cais. Decoração sóbria, refinada, sem exageros. Staff grande, gente jovem e bonita de várias nacionalidades, com roupas cáqui (nada de garçom pingüim). Freguesia variada (casais, executivos, amigas), elegante e sem afetação. Cenário perfeito e adequado que fazia jus à promessa de uma grande noite.

    Na porta do restaurante, logo antes de entrar

     

     



    Escrito por Bruno Rabello às 19h23
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    BH Restaurante Week

     

     

    No ano passado, contudo, minha experiência com a BH Restaurante Week foi terrível, pois pelo menos três dos restaurantes que escolhi para visitar não estavam preparados para o sucesso do evento e acabaram causando uma péssima impressão. E ao invés de conquistar, perderam um potencial cliente.

    Eu entendo a Restaurante Week como uma grande oportunidade para os restaurantes conquistarem novos clientes e uma ótima chance para os clientes conhecerem novos lugares.

    Infelizmente, nem todos os donos de restaurante pensam assim e tratam o freguês com certo desdém, como se estivessem fazendo um imenso favor àquelas pessoas que se dispuseram a pagar “míseros” R$ 39,90 por um jantar de três pratos (entrada, principal e sobremesa). Espécie de serviço de segunda classe para pessoas idem.

    Este ano dei mais sorte e não tive nenhum grande problema. O restaurante que peguei lotado (Benvindo), obviamente deixou um pouco a desejar no quesito serviço e a comida estava apenas correta (já comi bem melhor lá fora do evento). De toda forma, a casa tem crédito comigo e não chegou a comprometer.

    Por chegar tarde ao D’Artagnan – uma das mais badaladas casas da cidade – não peguei a casa cheia e tive um delicioso jantar. Tão bom quanto foram os almoços no Oak, simpática novidade que fica naquele quadrilátero fervilhante. O que mais me chamou a atenção, contudo, foram os preços praticados por ambos fora da Restaurante Week (já que pedi o cardápio regular para dar uma checada). Passei quase um mês na Europa, em lugares caros como a Costa Amalfitana, Portofino, Côte D’Azur, e posso garantir: come-se melhor e mais em conta por aquelas bandas. O fato de estas duas casas terem oferecido cardápio completo por R$ 39,00, sendo que no cardápio regular de uma delas, a mesma entrada saía por R$ 25,00, leva à conclusão de que os preços praticados são muito excessivos. Como não acredito que as casas trabalharam no prejuízo durante a Week, sou levado a concluir que, sorte deles, tem muita gente disposta a pagar bem mais do que vale o jantar...

    Dito isso, não foi surpresa que o restaurante onde comi melhor foi o Hermengarda, casa que goza de justo prestígio pelo ambiente, pelo serviço e pela comida e que criou um cardápio especial para os dias de Restaurante Week. Optei (e me dei melhor que a Vânia em todas as opções) por uma consistente Sopa Leão Veloso (frutos do mar), um surpreendente Ravióli de berinjela e castanha do Pará e uma deliciosa mousse de côco com baba de moça. Mas o melhor foi saber que nas terças e quartas-feira a casa não cobra pela rolha, o que permite que a conta saia bem mais em conta (com perdão do trocadilho). Resultado: a casa ganhou um cliente e voltei lá nesta terça-feira, véspera de feriado, para finalmente me sentar no quintal (o mais agradável dos três ambientes), embaixo da jabuticabeira carregada.


    Para não deixar de ser justo, vale o registro que o Benvindo também funciona entre terças e quintas-feiras com um menu “bistronômico”, três pratos a preços promocionais e que é um merecido sucesso de público e crítica.

     

     



    Escrito por Bruno Rabello às 09h45
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    O que me irrita em um restaurante

     

     

    Top coisas que mais me irritam em um restaurante:

    1. Ouvir dizer que o vinho que escolhi “está em falta”. Se consta do cardápio, deveria ter. Se por algum motivo não tem, tire do cardápio ou avise antecipadamente. Só não me faça perder tempo escolhendo para então dizer isso.

    2. Pedir uma segunda garrafa de vinho (ou uma terceira J) e ser informado de que a que bebi anteriormente era a última daquela marca. Pecado pior do que o de cima.

    3. Pedir a conta juntamente com a sobremesa e mesmo assim ela demorar muuito mais para chegar. Depois que comi, a coisa que mais quero é pagar e ir embora. É um custo suportar todos (ou a Vânia) tomarem café (coisa que não faço). Esperar a conta por tempo irrazoável me estraga o humor e a digestão.

    4. Casas que não parecem ter se preparado para o sucesso. Inconcebível que durante a Restaurante Week, por exemplo, época em que sabidamente os restaurantes estarão cheios, o serviço esteja caótico. Minhas experiências na Restaurante Week deste ano foram péssimas. Casas que fui conhecer e que poderiam ter me conquistado, desperdiçaram a chance.

    5. Serviço excessivamente atencioso pode ser tão chato quanto serviço ruim. Se estou bebendo vinho tinto, não quero que minha taça seja enchida a cada gole que dou, sem me permitir controlar o meu ritmo e causando a sensação de que querem é me empurrar mais vinho. Às vezes, menos é mais.

    6. A mania de alguns restaurantes tidos como chique (especialmente no Rio) de cobrarem taxa de 13,5% de serviço ao argumento de que oferecerem um serviço extraordinário. Eu pergunto se é obrigatório (não é!) e digo que fico muito satisfeito em recompensar com os 10% habituais.

     

     



    Escrito por Bruno Rabello às 17h31
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    Are Baba

    Sempre gostei de restaurantes “étnicos”, da culinária que foge do padrão europeu ao qual fomos acostumados a considerar mais “refinado”. Comida chinesa, japonesa, mexicana, tailandesa, árabe, vietnamita, peruana... Adoro descobrir, conhecer, experimentar.

    Por ter este paladar do tipo turista-desbravador, fiquei muito contente quando o Maharaj, restaurante indiano, abriu suas portas na Rua Paraíba, n. 523, há cerca de três anos. Desde então estive lá quatro vezes, a última nesta 4a-feira. Em todas elas, saí um pouco desapontado, cada vez por razões diferentes.

    Não que a comida seja ruim, longe disso. Ela correspondeu ao que se podia esperar de um restaurante do tipo. Experimentei várias entradas, vários pratos principais e várias sobremesas, já que éramos quatro na mesa e eles vinham servidos em pequenas panelas de bronze. Murg curry ( frango cozido ao molho de curry), Saagwala Gosht (cordeiro cozido ao molho de curry e espinafre) e Gosht Korma (cubos de cordeiro com molho de creme de leite e castanhas) foram os pratos pedidos. Samosas (pasteis indianos) e cubos de queijo derretidos cobertos de especiarias foram as entradas. De sobremesa, arroz doce indiano, sorvete exótico de manga e Gulab Jamun (bolinhas de leite em calda com essência de rosas, com amêndoas).

    O espaço do restaurante é muito agradável, embora lamente pelo telão fixado na parede, o que no meu entender é desnecessário e tira bastante o charme do local, interferindo negativamente na bela decoração.

    De se lamentar mesmo, foi o serviço, que quase estragou a noite. Poder-se-ia argumentar que a casa estava lotada em razão da Restaurante Week, mas isso não justifica o despreparo e o número reduzido de garçons. Difícil conseguir um garçom, o que acarretou, obviamente, demora no atendimento. Tampouco o fato de o vinho que escolhi beber “estar em falta”, uma das coisas que mais me irritam. Se o restaurante não está preparado para receber muita gente, é melhor nem abrir!

    Este último inconveniente – a falta do vinho escolhido – foi relevado pelo fato de eu ter gostado da segunda opção – um espumante português – obviamente mais caro que o que tinha pedido em primeiro lugar. E se você estiver pensando que eu estava a ponto de fazer um jantar do crioulo doido, misturando vinho português com comida indiana, pense (ou informe-se) a respeito de Goa, hoje estado indiano que foi dominado por Portugal por mais de 400 anos!


    P.S. Em tempo, o primeiro "chef" do Maharaj, indiano autêntico, saiu de lá e montou casa própria, Bhagwan, no bairro Sagrada Família ( site do restaurante clicando AQUI. ). Estive lá uma vez. A proposta é mais simples e a comida estava ótima. Pretendo retornar para conferir.

    P.S. 2: E eu consegui colocar restaurante indiano, espumante português e bairro Sagrada Família num mesmo post!



    Escrito por Bruno Rabello às 12h07
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