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BRASIL, Sudeste, Homem, de 36 a 45 anos, Arte e cultura, Viagens



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    Pensamentos nem tão profundos
     


     
     

    Da sorte e da emoção de ver Bibi Ferreira

     

    Estava na Gávea e procurei uma bicicleta para ir pra casa, nas estações próximas que eu conhecia, mas as duas estavam vazias. Consultei o aplicativo e seguindo o mapa caminhei até outra estação onde havia uma única bicicleta. Destravei-a e só então percebi que a corrente estava solta. Desde a minha adolescência não mexia em correntes de bicicletas! Consegui colocá-la no aro, pedalei menos de 300 metros e ela se soltou. Coloquei-a novamente, pedalei 200 metros e soltou novamente. A bike estava estragada e o jeito era empurrá-la até outra estação. Preferi seguir em frente do que voltar para a outra estação. Foi assim, passando por ruas pelas quais não costuma caminhar, que encontrei uma prima que não via há muitos anos, que mal me reconheceu, mas com quem tive um bom papo.

    Depois de deixar a bicicleta, saí caminhando e passei em frente ao Teatro do Leblon. O cartaz grande anunciava a apresentação de “Bibi Ferreira Canta e Conta Piaf”, que comemorava 30 anos. Muitas pessoas na porta do teatro, mas aproveitei que não havia filas na bilheteria e perguntei se havia ingressos para a sessão que começaria em meia-hora. Sim, havia.

    Estava muito cansado, dia inteiro fora de casa, viagem, mas não resisti e comprei ingresso. O espetáculo era curto (pouco mais de 60 minutos) e nunca havia visto o show desta grande e renomada atriz (vi uma peça com ela e com Juca de Oliveira, comédia divertida, em BH, há alguns anos). Por conta de um dia de trânsito caótico no Rio, o show acabou atrasando e quando começou, o mestre de cerimônias disse que se tratava de uma noite especial. Primeiro porque o show seria transmitido ao vivo pela Rádio Roquete Pinto e pela internet, já que (segundo) naquela noite, há exatos 50 anos (11/10/1963), morria Piaf.

    Foi a primeira vez que me emocionei na noite e Bibi nem havia entrado em cena. Durante o show, com grande orquestra, outros momentos de arrepiar, especialmente com Hymne à L’AmourHino da ResistênciaNon, Je Ne Regrette Rien e, claro, La Vie En RoseBibi, com 91 anos, esteve de pé o tempo todo, cantando com uma voz imponente e poderosa.

    Ao final, ela foi homenageada pelo pessoal do teatro com flores e com o anúncio dos ensaios de seu próximo (!!!!) espetáculo, Bibi Sings Sinatra, presenteando a platéia duas músicas (When Somebody Loves You e The Lady is a Tramp). O administrador do teatro ainda teve a ousadia de pedir-lhe para cantar um de seus clássicos: Gota d'Água. Um certo desconforto no palco, cochichos da estrela com o seu maestro e ela, meio que se desculpando, pergunta para o público se nós nos importaríamos de ela cantar Gota d'Água junto com Basta um Dia, pois a orquestra só dispunha da partitura combinada das duas canções. 

    E foi assim, com uma interpretação emocionante e emocionada das músicas do Chico que fui embora para casa, com a alma lavada e sentindo-me um privilegiado por toda aquela série de acontecimentos terem me levado a uma noite tão especial.

     



    Categoria: cultura
    Escrito por Bruno Rabello às 19h45
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    Museu aqui e acolá

     

    Como não poderia deixar de ser, fiquei radiante com a inauguração de um Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte. Visitava com frequência a unidade de Brasília quando lá morei e vou sempre à do Rio. Promessa de programação de qualidade, seja em exposições, peças, filmes e shows, com preços acessíveis ou mesmo sem cobrar ingresso.

    Por isso, logo no primeiro fim de semana de funcionamento, fiz questão de ir conhecer o espaço (onde funcionava antes a Advocacia-Geral do Estado, órgão ao qual sou vinculado) e rever a exposição Elles – Mulheres Artistas que já havia visto em 2010, no Centro Georges Pompidou de Paris.

    Ainda que tudo não estivesse completamente pronto e a impressão de que a inauguração tenha sido apressada se fizesse presente, uma coisa em particular me incomodou sobremaneira e contrastou com o sucesso de público que se fazia notar: a abordagem quase que intimidatória dos visitantes pelos funcionários. Um protocolar “bem-vindos” era seguido por normas categóricas: “é rigorosamente proibido tirar fotos, conversar no celular, marcar chicletes e entrar com mochilas!”. Eu que havia me fartado de fotografar a mesma exposição em Paris, achei estranho. Mas quando, já no meio da visita, fui abordado por uma funcionária dizendo que eu deveria guardar o meu celular no bolso (eu o carregava na mão junto com minha carteira; não havia tentado tirar fotos e nem sequer telefonado ou recebido ligações), eu não me contive. Respondi-lhe que não iria fazê-lo e que o telefone iria continuar do jeito que estava, inativo e em minhas mãos.

    Corte para Chicago, três dias depois. Visito o The Art Institute of Chicago, um dos maiores e melhores museus do mundo, com um acervo impressionante de impressionistas, dezenas de obras de RenoirMonetManet e Degas no meio de pessoas com câmeras, celulares e chicletes. Wi-fi aberto para todos. Somente na entrada da ala, dedicada à exposição “Impressionism, Fashion e Modernity” um aviso dizendo mais ou menos assim: o The Art Institute incentiva fotografias de suas obras. No entanto, por motivos contratuais relacionados à cessão das obras desta exposição, não será permitido fotografá-la. Contamos com sua compreensão”.

    Impossível deixar de comparar. O acervo do The Art Institute é muito maior, valioso e importante (ainda que seja difícil fazer este tipo de comparação em se tratando de arte, trata-se de uma obviedade). Por que a diferença de tratamento com o público? Seria porque o brasileiro é mais selvagem e não está acostumado a visitar museus? Seria apenas consequência de um autoritarismo impregnado na alma das “autoridades”, tanto mais evidente quanto menor for o poder real que elas possuem? Seria porque o povo tem espírito de rebanho e costuma aceitar passivamente este tipo de imposição? (No MoMA, de Nova York, a mesma coisa: fotos junto às obras mais famosas do mundo permitidas e incentivadas).


    Visito museus e exposições pelo mundo a fora há bastante tempo. Leio que há uma tendência e um esforço dos administradores e curadores para expandir a experiência dos visitantes e tornar o museu um lugar cada vez mais agradável, inclusive para crianças. Jamais, nem mesmo nas outras unidades do CCBB que visitava, presenciei uma acolhida tão dura do público (ainda que, repita-se, acompanhada do protocolar “bem-vindos”).

    Longe de defender que pessoas conversem no celular incomodando outras ou flashes capazes de danificar obras de arte, acho que vale a pena apostar no bom-senso e na tentativa de educar as pessoas (quem sabe com avisos) ao invés de uma postura autoritária como a presenciei. A inauguração é recente, a instituição é mais do que bem-vinda e por isso fica o convite para a reflexão. 

     



    Categoria: cultura
    Escrito por Bruno Rabello às 18h34
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