Já no meu segundo dia de Vietnam, parti para o que prometia ser o ponto alto da viagem, o lugar que mais ansiava conhecer: a Baía de Halong, eleita uma das sete maravilhas da natureza (veja AQUI a lista na Wikipedia, em que o Brasil aparece 2 vezes!). As opções de cruzeiro por Halong Bay são inúmeras. Durante a viagem, conversando com pessoas que haviam estado no Vietnam, fui aconselhado a pegar um pacote de 2dias/1noite, ao invés do pacote 3dias/2noites que cogitava. Para não correr riscos, escolhi uma excursão que estava entre as mais caras (USD 251,00), a Pelican (site aqui).

Apanharam-me no hotel por volta de 8:30 para uma cansativa viagem de 4 horas até o píer, onde pegaríamos o barco. Ficava claro, desde já, que os 2 dias prometidos seriam, na realidade, uma tarde a manhã do outro dia. O barco era surpreendentemente bom. Cabine confortável, espaçosa, com vista.

Já o clima, infelizmente, não ajudou! O sol não deu às caras e uma forte neblina tentava, sem muito sucesso, enfeiar o lugar. Mas as fotos foram mais prejudicadas do que a impressão real. A Baía é realmente majestosa, bem maior do que eu imaginava, mais de 1.500km2 de mar, de onde emergem mais de 2.000 formações rochosas, muitas delas com grutas e cavernas. 

Talvez por ser um cruzeiro mais caro, foi o programa em que mais tive dificuldade de me enturmar. O barco tinha cerca de 35 passageiros. Um grande grupo de suíços sexagenários e septuagnérios. 3 casais de franceses, todos na faixa dos cinquenta e poucos. Um casal de alemães. Um jovem casal argentino, em lua-de-mel e foram justamente os argentinos que me convidaram para se sentar em sua mesa no jantar e com quem eu mais conversei.

As refeições pareciam estar à altura do prometido. Um delicioso almoço de 4 cursos, quase todos à base de frutos do mar. Um agradável happy hour seguido por aula prática de rolinhos de primavera. E um jantar, estilo buffet, em que os frutos do mar eram grelhados ao lado de fora do salão.


Escrevi que pareciam, não é... Pois bem, na manhã seguinte, percebi que muita gente sequer apareceu para o café-da-manhã ou para fazer o passeio programado (entre estes, os meus amigos argentinos). Foi quando me perguntaram se eu não havia me sentido mal. Tinha tido um certo desconforto no banheiro, mas nada de anormal. Tomei o café-da-manhã normalmente e saí para o passeio do dia, que era uma visita à grandiosa Sung Sot Cave (ou Gruta Surpresa), localizada em uma destas enormes pedras que emergem da Baía.

Ao voltar, percebi que a situação no barco estava complicada. Um grupo de médicos e enfermeiras foi trazido e prestou assistência aos que estavam mais debilitados. Foi quando vi que meus amigos argentinos estavam entre os piores e que seriam levado ao hospital (o que lhes faria perder a viagem para Sapa, naquela mesma noite).

Com alguns poucos corajosos, ainda almocei no barco antes de sair e pegar a van de volta. Comigo, apenas o casal de alemães, ela bastante ruim, ele sem sintoma algum. Meus planos incluíam quase nove horas de trem para o norte do país. Não me sentia (muito) mal, mas também estava bem longe de estar em ótimas condições. Eu que havia passado com louvor pelo teste das comidas de rua no Laos, comecei a recear pelo que me esperava. Isso depois da minha refeição mais cara de toda a viagem.