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    Pensamentos nem tão profundos
     


     
     

    Laos, parte III: aula de culinária

    Voltei do aeroporto para o mesmo hotel, já que sabia que o quarto em que tinha ficado estava disponível (motivo pelo qual me deixaram fazer o late check-out). Imediatamente, corri para o restaurante Tamarind, na esperança de conseguir uma vaga para a aula de culinária no dia seguinte. A turma já estava cheia, mas o dono me disse para voltar na manhã seguinte, pois 3 pessoas ainda não haviam pagado pela aula, o que me dava algumas chances.

    Antes de chegar no Tamarind, contudo, tive que passar no consulado do Vietnam, onde deixei meu passaporte e paguei uma taxa de urgência para o visto sair no mesmo dia (USD 75,00!). Para a minha sorte, faltaram duas pessoas e consegui fazer a aula.

    A aula não aconteceu no restaurante, mas em um lindo casarão de campo, a poucos minutos da cidade. Quem a ministrou foi um rapaz local, bastante divertido, que conquistou o eclético grupo: um casal de australianos com a filha universitária, dois casais de franceses, duas americanas e um sueco que, como eu, viajavam sozinhos. No caminho, paramos no mercado da cidade para comprar e aprender sobre alguns ingredientes, principalmente ervas e temperos.


    Na aula, todo mundo pôs a mão na massa, o tempo todo:

    O ingrediente onipresente nas minhas refeições no Laos foi o capim-limão (eles usam bastante coentro, ingrediente que detestava, mas aprendi a suportar) e o prato carro-chefe do restaurante é justamente um capim limão recheado, bem interessante. O ramo do capim limão, da espessura de um alho porró dos mais finos, é desfiado no meio, mantendo-se as extremidades intactas. Uma vez desfiado, ele fica parecendo uma mola, que possibilita recheá-lo (usamos frango e temperos). Feito isso, lambuzamos tudo em ovo antes de levar ao óleo bem quente para fazer a casquinha. Um molho de amendoim dava o toque final: 

    Não fosse o meu dia “extra” em Luang Prabang, não teria visitado nenhum dos diversos monastérios da cidade. Assim, graças ao meu descuido com o visto, ainda tive tempo de conhecer o Wat Xieng Thong, o mais famoso, também conhecido como Monastério da Cidade Dourada (Golden City Monastery). Tem como não ficar agradecido pelo fato de o Vietnam ser burocrático e não permitir visto na chegada? 



    Categoria: Viagem
    Escrito por Bruno Rabello às 16h25
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    Laos, parte II: Luang Prabang, Royal Museum, Ronda das Almas, Mekong, Pak Ou

     

    Meu hotel era bem próximo ao The Royal Palace Museum, construído no início do século XX, quando o Laos era colônia francesa para ser a residência da família real. O estilo arquitetônico combina referências asiáticas e européias e entre suas atrações, destaque para a galeria do trono, cujas paredes são decoradas com azulejos de vidro formando lindo mosaicos e para um Buda de ouro, prata e bronze tido como esculpido no século I. Os horários de visitação não são os mais convenientes (fecha entre 11:00 e 13:30 para almoço e encerra as atividades às 16:00), mas vale a visita. Para o bem e para o não tão bem assim, esse é o ritmo do Laos que, acreditem, ajuda a fazer mais encantadora a cidade. É um lugar para ser visitado com calma, para deixar espaços de folga (leia-se: sem nenhuma atividade programada) para simplesmente andar de bicicleta ou caminhar por suas ruas de trânsito tranqüilo (coisa que infelizmente eu não fiz, já que só dispunha de míseros 3 dias).

    Talvez por conta disso, senti-me à vontade para uma incursão meio que às cegas na gastronomia de rua local. Em algumas das transversais da rua principal, aquela em que ficam os artesãos e onde comprei lindos lenços de seda para a Vânia e algumas encantadoras roupinhas típicas de bebê, há várias barracas de comida. Por um preço irrisório (10.000kip, equivalente a R$ 2,65), o comensal pode encher um prato com tudo o que nele couber. Eu jamais comeria algo parecido no Brasil, mas vendo todos os europeus se fartando daquilo, resolvi “entrar na dança” e encarar aquela orgia da baixíssima gastronomia, escolhendo as porções pela aparência, sem muitas vezes nem saber direito o que era (nada de espetinhos de insetos e aracnídeos como a gente vê em reportagens sobre a China). Em média, posso garantir, tudo era bem gostoso e descia fácil com uma garrafa da cerveja local. O melhor e mais surpreendente: estar inteiraço e bem disposto para encarar o dia seguinte, que prometia ser corrido.

    Um dos programas mais concorridos de Luang Prabang é acordar bem cedo para participar do ritual da Ronda das Almas (em inglês, Alms Giving Ceremony), que acontece todas as manhãs, às 06:00 horas. Os habitantes da cidade e os turistas se acomodam na calçada para oferecer alimentos aos monges que em fila indiana e em silêncio caminham pela rua principal. Dizem que eles se alimentam somente daquilo que lhes é ofertado durante esta procissão, que caiu nas graças dos turistas. Como não poderia deixar de ser, há pessoas que ganham dinheiro vendendo aos turistas as oferendas (o arroz empapado, frutas, pães). Isso, no entanto, não tira o brilho e a emoção da cerimônia, acompanhada com respeito e silêncio na maior parte do tempo, salvo a inconveniência de alguns fotógrafos mais afoitos e seus flashes. Fiquei realmente tocado e surpreso com a grande quantidade de monges crianças.

    No que era para ser a minha última manhã em Luang Prabang, escolhi fazer o passeio para as grutas de Pak Ou para ter a oportunidade de andar de barco pelo Mekong. Lendo as críticas no TripAdvisor, vi muita gente reclamando, dizendo que era um desperdício de tempo. Alinho-me mais com os que acharam um bom programa. É verdade que o trajeto de barco é um pouco demorado (quase duas horas para subir o rio e pouco mais de uma hora para voltar), mas não chega a cansar. A paisagem é interessante e é sempre bom lembrar que o mítico rio Mekong atravessa 7 países, tendo importância fundamental para toda a Indochina. São duas grutas, uma mais embaixo e uma mais no alto, que são uma das atrações religiosas mais visitadas por quem está em Luang Prabang. Situadas na beira do Mekong, encravadas em uma falésia, cada uma delas contem várias estatuetas de Buda que, na falta de iluminação do local, só são visíveis quando os flashes espocam ou quando algum outro turista acende uma lanterna. Estas, por ficarem perto da entrada, são mais fáceis de ser vistas:


    Cheguei de volta ao hotel mais de uma hora depois do horário que deveria ter desocupado o quarto (o que foi levado numa boa pelo proprietário). Ainda assim, tomei um bom banho e saí para uma última volta, deixando as malas na recepção até o horário da minha partida para o aeroporto. Parei para almoçar no restaurante Tamarind, um dos vários (mas certamente um dos mais bonitos) que oferecem aulas de culinária laociana.  Deliciei-me com os pratos inventivos e saborosos e tomei litros de um delicioso suco de tamarindo (sorvido por canudos de bambu, que comprei para usar aqui!):


    Depois do almoço, mesmo cansado e de barriga cheia, reuni forças para subir os 355 degraus do Monte Phousi, de onde se tem uma ótima visão da cidade e dos rios que a emolduram. Precisa de fôlego para chegar lá em cima, mas em dias claros a vista compensa e é a melhor forma de ver e compreender a geografia da cidade:


    Fui para o aeroporto melancólico por deixar Luang Prabang tão cedo, sem ter feito tudo o que gostaria. Na hora do check-in, a atende me pergunta sobre o meu visto para o Vietnam e eu lhe respondo que iria tirar o  visa-on-arrival” (como fiz na chegada ao Camboja e no Laos). Ela diz que não se pode, no Vietnam, obter visto no desembarque e remarca meu vôo para o final da tarde do dia seguinte, dizendo que eu deveria procurar o consulado vietnamita na manhã seguinte para obter o meu visto. Mesmo com o prejuízo (perdi a noite de hotel em Hanói, paguei uma taxa de remarcação de USD 50,00 e teria que pagar uma taxa de urgência para o visto sair no mesmo dia), estava feliz por “ganhar” mais uma noite em Luang Prabang.



    Categoria: Viagem
    Escrito por Bruno Rabello às 09h07
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