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BRASIL, Sudeste, Homem, de 36 a 45 anos, Arte e cultura, Viagens



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    Pensamentos nem tão profundos
     


     
     

    Abraçaço carioca

     

    Por incrível que possa parecer, nunca achei o Rio de Janeiro o melhor lugar para assistir a shows. Talvez por culpa de suas casas de espetáculos (Canecão, Metropolitan, Vivo Rio), em que o público é acomodado em apertadas mesas, com o consumo de comes e bebes rolando solto e o vai-e-vem de garçons durante os shows. Ao contrário do ar blasé carioca, “nossoPalácio das Artes sempre recebeu freqüentadores mais reverentes e respeitosos.

    Esta má impressão está seriamente abalada depois de conferir de perto dois grandes shows no lendário Circo Voador, na Lapa: em janeiro, Gal Costa com o seu Recanto e neste final de semana, o início da turnê de lançamento do Abraçaço do Caetano. O suficiente para concluir que o público do Circo é especial, diria mesmo incomparável. Não consigo imaginar uma dose de entrega ou uma simbiose entre artista e audiência semelhante em Belo Horizonte

    Como o Recanto (só com músicas do Caetano), Abraçaço é um disco difícil, complexo, que pede uma audição atenta e não entrega nada fácil ou mastigado. E se o show pode ser tido como a prova de fogo do disco, ele passou com louvor, já que a platéia se mostrou à altura do biscoito fino que lhe era oferecido, fazendo ela própria seus espetáculo particular. De arrepiar.

    Quando li o set list, temi pelo pior. Não bastasse a tristeza que exalava das canções do disco (“Estou triste, tão triste. E o lugar mais frio do Rio é o meu quarto” / “Sinto o meu peito vazio, farto”), Caetano havia optado por rechear o show com canções antigas menos conhecidas e igualmente melancólicas (Alguém Cantando, gravada com sua falecida irmã Nicinha; Mãe, gravada por Gal Costa e óbvia homenagem a Dona Canô; Triste Bahia, uma das canções mais difíceis do cultuado Transa e que novamente faz referência à tristeza). Imaginei que o clima e o repertório não iriam combinar com o astral do Circo Voador e com a energia daquela platéia.

    Não poderia estar mais enganado. Desde a primeira música, “A Bossa Nova é Foda”, cujo título era entoado como um grito de guerra, o público disse a que veio e tratou de espantar o clima baixo-astral. Canções longas e difíceis como Alexandre e Um Comunista foram entusiasticamente recebidas e a interpretação de Triste Bahia (um dos pontos altos da noite) justificaria por si só a gravação de um DVD. Abraçaço, a canção que dá nome ao show e ao disco, foi saudada como se fosse um clássico (e quem há de negar que já adquiriu tal status?) e a coreografia ensaiada com a Banda Cê levou o público ao delírio, dando a tônica do que foi aquela noite. 

    Normalmente verborrágico, Caetano foi bastante econômico nas palavras. Limitou a justificar uma mudança no roteiro – a inclusão de Um Índio, uma das minhas favoritas, tendo em vista o imbróglio com a demolição do Museu do Índio e da desocupação da Aldeia Maracanã. A comunicação se deu essencialmente pelas canções. 

    Além de 9 das 11 músicas do seu novo trabalho e das canções menos conhecidas citadas acima, canções consagradas como Eclipse Oculto, valorizada pela guitarra da Banda Cê, Escapulário, Odeio e A Luz de Tieta (dispensável e deslocada) também se fizeram presentes. Mas nada tão arrebatador quanto a sequência final (antes do bis), em que Reconvexo (uma de suas obras-primas, nunca gravada por ele) é seguida por Você Não Entende Nada. “Quem não rezou a novena de Dona Canô?”, verso mais ovacionado da noite, ecoava no “E quero que você venha comigo” da canção seguinte. “Todo dia, todo dia”, respondia o coro embevecido, retribuindo o Abraçaço que lhe foi oferecido.

    Já comprei ingressos para o show do Palácio das ArtesEspero estar redondamente enganado, mas acho que o público mineiro vai acabar domado pelas poltronas confortáveis, pelo preço salgado, pelas roupas formais e pela caretice opressora. Se isso acontecer, teremos uma pálida versão de um dos melhores shows que já vi. Que a memória daquela noite não saia maculada.



    Categoria: cultura
    Escrito por Bruno Rabello às 20h04
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    México: praia, pirâmide e aventura

    É com um pingo de constrangimento que eu assumo que a paternidade por vir já está começando a me fazer pagar língua. Ir para Miami fazer enxoval de bebê é coisa que sempre achei exagerada e jamais tinha passado pela minha cabeça que seria capaz de fazer (continuo apostando que vou conseguir evitar férias em resorts, fins-de-semana em hotéis-fazenda, almoços em restaurantes com espaço infantil e festas-de-criança semana sim, outra também).

    Depois de constatar que os preços são realmente muito convidativos (a ponto de fazer valer o preço das passagens) e, principalmente, por contar com o apoio sempre fundamental dos futuros avós paternos da minha filha (leia-se: papai e mamãe), que se dispuseram não só a nos acompanhar (o que evitaria taxas por excessos de bagagem), como também a subsidiar a viagem, decidi encarar mais uma viagem, às pressas, logo antes das minhas férias, programadas com tanta antecedência.

    Pequeno parêntesis: quem só me acompanha pelo blog, deve achar que não trabalho e que apenas viajo. Pelo menos até ganhar na mega-sena, não é assim que vivo. Tenho a sorte de possuir um cargo que me permite 25 dias úteis de férias por ano, tenho créditos acumulados pelos anos que não gozei de tantos dias e, finalmente, priorizo o prazer de viajar em detrimento de tantas outras coisas, como, por exemplo, manter carros novos na garagem. Deu para entender ou vou ter que desenhar?

    Como tínhamos estados em Miami há pouco mais de um ano, porque não aproveitar as facilidades da internet, comprar tudo online e aproveitar para conhecer outros lugares? Daí que surgiu a idéia de passar antes pelo México, país que nenhum de nós conhecíamos.

    Escolhi Playa del Carmen, que fica a cerca de 50km da badalada Cancun e que, tem em comum com esta, apenas a beleza do mar. Pesquisando, li que Playa estava para Búzios assim como Cancun estava para a Barra da Tijuca e esta boutade foi o suficiente para me convencer. Melhor explicando: se em Cancun predominam os megaempreendimentos hoteleiros (com os indefectíveis pacotes all inclusive) e grandes shopping centers, em Playa os hotéis são pequenos e o programa é bater perna na 5a Avenida, a Rua das Pedras de lá (com calçamento regular e fácil de andar, vale o registro), com suas inúmeras lojas, bares e restaurantes.

    Ficamos em um hotel simples, confortável, ao qual se entra pela praia, pisando literalmente na areia. Não havia avenida, rua ou viela separando-o daquele mar com mais de 50 tons de azul. Uma curtição tomar café da manhã em mesas postas em cima da areia e ficar estirado nas espreguiçadeiras do hotel, a centímetros da água.


    Vista do hotel

    Vista do mar

    Mas nem só de sombra e margaritas foram aqueles dias no México. Tivemos que nos afastar da praia para conhecer as ruínas de Chichén Itzá, cidade pré-colombiana construída pelos maias. É uma viagem longa (2,5 horas para ir e 2,5 para voltar; combinamos com um motorista de taxi para nos levar e buscar e pagamos USD 100,00 para ele ficar o dia inteiro à nossa disposição), mas um passeio absolutamente imperdível, que merece ser feito com um guia oficial (contratado lá, na hora), que contará detalhes fascinantes do lugar, recentemente escolhido como uma das sete maravilhas do mundo moderno.

    Ainda neste dia, depois de Chichén Itzá, visitamos um dos milhares de cenotes que existem na região da Penínula de Yucatán (estima-se que sejam cerca de 7000). Os cenotes são um fenômeno natural que consistem em grandes e largos buracos circulares, cheios de água que, nesta região, foram um intricado sistema de cavernas e grutas subterrâneas, que chegam a atrair destemidos mergulhadores (no ano passado, um casal de brasileiros morreu mergulhando em um destes cenotes, supostamente por não ter conseguido encontrar a saída).

    O cenote que visitamos, Ik-Kil (ou Sacred Blue Cenote) fica perto de Chichén Itzá, é tido como um dos mais bonitos e populares, frequentados mais por banhistas do que por mergulhadores. Ele está a 25 metros abaixo da superfície, sendo alcançável por uma escada que o circunda. Tem 40 metros de profundidade e algumas plataformas de salto, de alturas variadas, que fazem a delícia dos turistas, que se enfileiram para pular. Eis uma foto tirada de cima: 


    Depois de bem observar os saltadores, resolvi partir para a fila e encarar a plataforma mais alta. A imensa maioria das pessoas pulava de pé, mas como havia visto muita gente saltando de cabeça, estava convicto de que iria fazer assim. Saudades dos meus tempos de Cabo Frio, quando pulava com bastante categoria da pedra mais alta do Forte...

    Ao chegar lá em cima, a barriga congelou de frio. Vertigem total. Vânia, papai e mamãe lá do alto, com máquinas a postos para tentar captar o momento e assistir o meu salto. O jeito foi respirar fundo, travar os joelhos que tremiam e me atirar, de ponta, comme il fault. A sensação de ter superado o medo foi a melhor possível. Voltar para o segundo salto era moleza.




    Categoria: Viagem
    Escrito por Bruno Rabello às 08h15
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    Solidão que nada

     

    Foi, é claro, com o coração partido, que embarquei para viajar sozinho. Não que isso tenha sido uma decisão precipitada, pelo contrário. Comprei minha passagem no impulso, em outubro, ao ver uma promoção da Qatar Airways (tida como a melhor do mundo), quando a gravidez da Vânia ainda era incerta. De lá para cá, tive muito tempo para comprar outra passagem para ela (o que achamos melhor não fazer) ou desistir da minha viagem, perdendo a passagem (ou pagando uma multa alta para remarcar). A própria Vânia me deu o aval para ir, embora lamentasse não estar em condições (leia-se: preparo físico para encarar, com o meu pique, a viagem) para me acompanhar. Só espero que nossa filha não cresça ouvindo “seu pai foi viajar pelo mundo enquanto eu estava grávida de você” ou algo semelhante... 

    Não vai ser a minha primeira experiência viajando sozinho. Na primeira vez que estive na Europa, com a minha família, fiquei mochilando por mais uma semana depois que eles voltaram para o Brasil. Tinha 24 anos, conhecimento zero do mundo, apetite enorme para conhecê-lo, a inexperiência de quem acha que o bom é bater ponto no maior número de lugares possíveis e um pique de dar inveja a atleta olímpico. Achei a experiência fantástica e fiquei espantado com o tanto que o tempo rendia, com a quantidade de coisas que eu conseguia fazer em um único dia.  Por mais afinado que você possa estar com o seu companheiro de viagem, sempre haverá momentos em que um esperará pelo outro e alguma discussão sobre o que fazer o quê e quando. Viajar sozinho tem, ao menos, esta vantagem. 

    O mais difícil para mim nem é tanto a falta que faz alguém para dividir as impressões, sensações e descobertas. Em tempos de internet e com wi-fi nos hotéis, este tipo de solidão é minimizado. Ficar inteiramente só é uma opção. Duro mesmo foi bater o martelo, assumir que viajaria sozinho e não deixar que os comentários bem intencionados de amigos e familiares me fizessem desistir. 

    Daquela vez fiquei em albergues, o que por si só é um convite para conhecer outras pessoas. Logo, só estive sozinho quando quis. Desta vez, os preços convidativos do sudeste asiático, a idade “um pouco” mais avançada e o desejo pela certeza de um pouquinho mais de conforto levaram-me a optar por reservar hotéis. Em comum com a outra viagem, o espírito errante, a vontade de experimentar novos sabores, deslumbrar-me com o novo e conhecer mais um pouquinho do mundo. 



    Categoria: Viagem
    Escrito por Bruno Rabello às 14h19
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    Prazer, culpa e expiação

     

    Quando assisti ao excelente documentário The Cove (premiado com o Oscar e que inexplicavelmente não foi lançado comercialmente no Brasil) fiquei chocado com o massacre de golfinhos que acontecia no Japão e tocado com os ambientalistas que lutavam para acabar com aquilo. Ignorava os males que os aquários estilo Sea World causavam a estas criaturas tão dóceis e simpáticas e me propus nunca prestigiar este tipo de atração.

    Falhei absurdamente na primeira oportunidade que me foi dada. Sempre fui alucinado com golfinhos e não resisti à tentação de nadar com eles no X-Caret, um enorme complexo de parque, praias e zoológicos que existe próximo a Playa del Carmen

    Realizei um sonho de infância, foi uma experiência divertidíssima, inesquecível e que, contudo – acreditem – me fez corroer de remorso nos dias seguintes. Sei que se tivesse deixado de ir, minha atitude teria tido pouquíssimo efeito para a causa ambientalista, procurava me consolar. E era verdade. A questão passou a ser o que fazer para contribuir de maneira positiva com aqueles que abnegadamente dedicam suas vidas a tentar salvar estes animais. Resolvi expiar minha culpa (ou parte dela), doando o mesmo valor que paguei pelo ingresso para a ONG. Quem quiser saber mais sobre ela, procure por http://www.thecovemovie.com/.

    É claro que melhor seria ter ajudado a organização sem ter contribuído em nada com a exploração dos pobres animais. Assumo a culpa pelo erro, querendo crer, sem hipocrisia, que fiz mais bem do que mal. E isso é melhor que nada.

     



    Categoria: Viagem
    Escrito por Bruno Rabello às 13h29
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