1. Uma das coisas que mais lamentei no episódio do Mensalão do Arruda foi o fato de que ele vinha fazendo um governo muito bom, tido por boa parte da população como um dos melhores do DF. Já o governo de Cristóvão Buarque, de quem até hoje nada se publicou que maculasse sua reputação de pessoa honesta, é freqüentemente lembrado como desastroso. De forma alguma defendo a idéia do “rouba, mas faz”. Quero ver Arruda cassado, banido da vida pública, preso. Mas a conclusão é indigesta: não apenas boas administrações estão sujeitas a chafurdar na lama da corrupção, como probidade administrativa não basta para atender aos anseios da população. 2. Não li nada sobre isso ainda, mas o envolvimento do DEM no escândalo (inevitável, já que Arruda era seu único governador), torna mais viável a formação de uma chapa puro-sangue do PSDB (Serra/Aécio), já que arrefece a necessidade de conceder a vaga de vice ao aliado oposicionista e fornece uma boa desculpa para o governador de Minas aceitar a composição. Uma chapa deste peso é o pesadelo de Lula e Dilma. 3. No avião, ouvi passageiros conversando sobre o escândalo. Um deles perguntava como o governador Arruda e seus comparsas se sentiriam com relação a seus filhos e familiares, expostos desta maneira em rede nacional... Foi um pensamento que me ocorreu quando do outro escândalo: o da quebra do sigilo do painel de votação do Senado. Naquela ocasião, o choro público de Arruda e seu pedido de desculpas me pareceram tão sinceros e genuínos (santa ingenuidade, Bruno!) que pensei em sua família... Desta vez, as desculpas me soam tão esfarrapadas, suas declarações tão cínicas, que quero mais que as famílias, beneficiárias diretas da roubalheira, paguem com hostilidade pública (não violenta, é claro) o preço pelos crimes do capo e de seus asseclas. 4. Juridicamente falando, a expulsão sumária de Arruda pelo DEM, clamada pela imprensa e pela população, seria uma aberração e daria margem a uma ação judicial em que o governador expulso teria grandes chances de êxito, já que não teriam sido respeitadas as garantias de ampla defesa, contraditório e devido processo legal. Foi correta a decisão de dar-lhe prazo para defesa. 5. Conta-se que a Caixa de Pandora foi fechada antes que o maior dos males pudesse dela sair: a desesperança. O que venho sentindo com relação à política brasileira me faz discordar do nome dado pela Polícia Federal a esta operação. Também a desesperança parece ter escapado.
Escrito por Bruno Rabello às 11h17
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O novo Rubem Fonseca e seu clipe
No primeiro semestre, Rubem Fonseca e a Companhia das Letras puseram fim a uma relação de mais de 20 anos. Comenta-se que após a ruptura teve início um leilão para ver qual editora passaria a contar com o elogiado escritor e que a Agir acabou levando a melhor com uma genero$í$$ima oferta. Li, de uma sentada, seu novo romance, O Seminarista. Curto, divertido, bem escrito, violento (estilo Tarantino) o livro narra em primeira pessoa, a estória de um ex-seminarista que se tornou matador profissional, um dos melhores na sua “profissão”; pé-de-meia formado, ele resolve se aposentar e acaba descobrindo que isso não é nada fácil. Uma das boas sacadas é retratar esse matador como uma pessoa, apesar de fria e com poucos escrúpulos (ele não gosta de matar mulher ou bicho), é também culta, amante de literatura (especialmente poesia) e pródigo em citar frases em latim que se encaixam nas mais variadas situações. E, além disso, capaz de, aos quarenta e poucos anos, se apaixonar a ponto de querer deixar para trás uma vida de devassidão. Depois de ler o livro, que gostei e recomendo, fui procurar ver o que a crítica especializada disse a respeito e, para minha surpresa, vi que a Folha de São Paulo deu-lhe cotação “ruim” e que a Veja chamou seu enredo de capenga. Tudo bem que o livro não seja uma obra-prima, mas as críticas me soaram tão injustas e descabidas que imediatamente me veio à cabeça Tom Jobim, que com razão dizia que brasileiro não perdoa o sucesso. Descobri na Internet (You Tube) um “clipe” do livro, algo que nunca tinha visto antes. Sim, é isso mesmo: um clipe (http://www.youtube.com/watch?v=XSwahAokwyA), em que o próprio Rubem Fonseca narra, em menos de dois minutos, os primeiros parágrafos do seu novo romance. O vídeo é caprichado e dá uma ótima idéia do que se pode esperar do livro!
Escrito por Bruno Rabello às 08h59
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Joio
Lembro-me de que o governador do DF, José Inácio Arruda (DEM), iniciou a campanha eleitoral que o conduziu ao cargo com um pedido de desculpas para a população, assumindo o seu erro no episódio da quebra do sigilo na votação do Senado e que culminou com sua renúncia ao mandato de senador. Obviamente, foi orientado a fazê-lo por assessores e marqueteiros, mas achei o gesto bacana e ele ganhou minha simpatia. A minha impressão é a de que ele vinha exercendo um bom governo, bem avaliado pela população e torcia por sua provável reeleição. Sei que não deveria me surpreender com nada, mas não esperava por essa: a Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal revela gravações de áudio em que Arruda determina que um Secretário de Estado (investigado por outros crimes e que, em troca de redução de pena, passou a colaborar com a Polícia e, assim, carregava grampos) comprasse apoio de políticos. Em resumo, o mesmíssimo esquema do mensalão lulista. A se julgar pelo que saiu na imprensa, a coisa é muito grave e, sendo assim, torço para que Arruda, único governador do DEM e estrela em ascensão do partido, seja exemplarmente punido. Gostaria, mais ainda, que, diferentemente do que fez o PSDB com Eduardo Azeredo e Cássio Cunha Lima, o DEM tenha o bom senso de tomar uma atitude enérgica, até mesmo expulsando-o do partido. Sei que isso soa ingênuo, mas é a única maneira de passar um recado para a população: que nem todo partido é tolerante com a corrupção ou, em outras palavras, que nem tudo é a mesma m#$%& ! Difícil de acreditar que algo assim possa vir a acontecer, né?
Escrito por Bruno Rabello às 08h25
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O Oportunismo é Verde
Apesar de todo o seu peso simbólico e do respeito que a comunidade internacional tem por ela, fato é que Marina Silva pouco sucesso teve em sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, o que acho lamentável. Boicotada dentro do próprio governo, principalmente por Dilma Roussef, sua gestão não correspondeu aos anseios dos ambientalistas. Paradoxalmente, ao se desligar do PT e assumir ser candidata pelo PV nas próximas eleições presidenciais, Marina Silva pôs a questão ambiental no seu devido lugar: o centro das discussões. O governo, que antes se recusava a estabelecer meta de redução de emissões de gases, mudou de posição, o que demonstra que, na oposição, Marina pode mais. Mas temo por um efeito nefasto na disseminação desta “onda verde”: o oportunismo, que pode embaçar a vista do cidadão menos esclarecido. Assistindo as propagandas eleitorais partidárias, percebi que os mais variados partidos adotaram a bandeira ambiental. Todo mundo parece ser “verde” desde criancinha... Uma coisa é adotar uma agenda positiva, se adequar às necessidades e clamores dos dias atuais. Outra, completamente diferente, é querer tirar proveito disso, fazendo-se passar por coisa que nunca foi. Infelizmente, nem mesmo o Partido Verde, legenda que abriga a maior parte dos ambientalistas “históricos”, está imune a isso. Especialmente a partir das últimas eleições apresentou e elegeu candidatos que não tinham, em sua biografia, nada que indicasse um envolvimento maior com o meio-ambiente ou com a ecologia. É sabido que a muitos interessava somente uma campanha eleitoral com maiores chances de êxito (possibilidade de se eleger com um menor número de votos, devido ao coeficiente eleitoral). Vai ser interessante observar como esta turma se comportará em 2010. Será que apoiarão de verdade a campanha presidencial de Marina Silva? Seguirão a orientação do partido? Acho muito difícil. Ao que tudo indica, o PV, partido que gostaria muito de ver forte, combativo e representativo, será vítima do seu crescimento sem critério, e se aproximará do que há de pior nos demais.
Escrito por Bruno Rabello às 22h27
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Futebol: Brasileirão, pontos coridos, palpite e mala branca
Há pouco tempo noticiou-se que a Globo, insatisfeita com a adoção dos “pontos corridos”, fazia pressão para se mudar as regras do próximo Campeonato Brasileiro de Futebol. Vários comentaristas faziam eco àquela insatisfação e clamavam pela volta das finais e da emoção que só elas proporcionariam. Ainda bem que o bom senso parece ter prevalecido e os pontos corridos foram mantidos. Além de ser mais justa – quem faz mais pontos é campeão – a fórmula não dispensa a emoção, como o campeonato deste ano deixa muito claro. Torcedores de todos os times lamentam os pontos perdidos perante adversários teoricamente bem mais fracos. No caso do meu Cruzeiro, em especial, mal dá para acreditar que perdeu pontos para times como o Fluminense (que estava na lanterna e após estar vencendo por 2x0), Grêmio (que nada disputava) e Atlético Paranaense (bem abaixo da tabela). Se prevalecesse a lógica, o time poderia estar na ponta, brigando pelo título... Mas a frustração é compartilhada por torcedores de Flamengo, Palmeiras e São Paulo, que também perderam pontos com os quais contavam. A história do Atlético Mineiro é um pouco diferente, já que na reta final, derrota para o Coritiba à parte, perdeu para adversários fortes como o Flamengo e Internacional, jogos em que não se podia falar de favoritismo. E se provou um autêntico "cavalo paraguaio", como muita gente entendida já preconizava... Mesmo ciente de que tudo ainda pode acontecer e de que existe forte movimento para agradar à maior torcida do Brasil, acredito (sem torcer para isso) que o São Paulo conquistará mais um campeonato, o que não deixaria de ser justo, já que se premiaria os reconhecidos profissionalismo e a seriedade daquele clube. Por fim, gostaria de dizer que acho ridícula a condenação à tal da “mala branca” (incentivo financeiro oferecido por um time ao adversário do seu rival pela liderança) e o falso moralismo que esse assunto rende. Por tudo que leio, a mala branca sempre existiu e acho absurdo compará-la com a “mala preta” (pagar um time para fazer corpo mole). No campeonato deste ano, o nome do Cruzeiro foi citado como tendo oferecido dinheiro a jogadores do Barueri que enfrentariam o São Paulo. O que fez a diretoria do Barueri? Afastou dois dos principais jogadores de seu time o que facilitou a vida do São Paulo, que acabou vencendo a partida. Após isso, os jogadores foram reintegrados. O São Paulo foi o único beneficiado pela “fofoca” (digo isso, porque nada foi provado). E o absurdo do episódio pouco repercutiu!! Agora é o time do Flamengo que traz novamente o assunto à baila, alegando que o São Paulo teria prometido dinheiro aos jogadores do Goiás para terem um bom desempenho na partida em que o Goiás e Flamengo empataram (resultado que impediu que o rubro-negro assumisse a liderança). Receber dinheiro para jogar bem é coisa bem diferente de receber dinheiro para jogar mal e, por isso, deve ser visto como algo senão legítimo, ao menos não condenável.
Escrito por Bruno Rabello às 00h48
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A falta que ele faz
Já escrevi aqui antes que sou fã do Paulo Francis, a ponto de ter assinado a Folha só porque ele escrevia lá e de ter cancelado esta assinatura quando ele saiu do jornal. Divertia-me assistindo-o na TV, mas o que eu gostava mesmo era de seu Diário da Corte, coluna que eu chegava a colecionar. Foi, portanto, com grande expectativa que me dirigi ao cinema para assistir ao documentário Caro Francis, dirigido por Nelson Hoineff (lançamento previsto para o início de 2010). O filme é burocrático na forma, limitando-se a mesclar depoimentos de muitos amigos (Sérgio Augusto, Fausto Wolff, Daniel Piza, Diogo Mainardi, FHC, José Serra, Lucas Mendes, Nelson Motta) e pouco detratores (Caio Túlio Costa, Joel Rennó, um escritor que escreveu um livro o acusando de plágio), com cenas do próprio Francis (Manhattan Connection, Roda Viva, arquivos caseiros). Já no conteúdo cumpre perfeitamente seu objetivo: apresentando Francis para quem não o conhece e amenizando a saudade daqueles que sentem sua falta. Os episódios mais controvertidos da vida de Francis estão todos lá: a crítica feroz feita à Tônia Carreiro, os tempos do Pasquim, sua ida para Nova York, a contratação pela Globo, a briga com o ombudsman da Folha de São Paulo, o processo movido pela diretoria da Petrobrás (freqüentemente apontado, junto com suposto erro médico, como fatores decisivos para sua morte). Além da reconhecida capacidade intelectual e da língua ferina, o filme mostra-o como um amigo extremamente fiel e dedicado, capaz de pegar um avião e passar menos de 24 horas no Brasil apenas para animar um amigo deprimido. Sobre o episódio Petrobrás (Francis afirmou, no Manhattan Connection, que a diretoria da empresa mantinha contas secretas na Suiça, o que motivou uma ação judicial movida contra ele perante a justiça americana, pedindo cem milhões de dólares de indenização), uma revelação interessante: José Serra diz ter procurado o presidente Fernando Henrique para que este pedisse para que Joel Rennó desistisse da ação, o que é confirmado também por FHC (alvo de elogios e críticas de Francis no documentário). No meio de tantos outros, um depoimento me chamou a atenção: o do ex Ministro da Fazenda e pernambucano Gustavo Krause que, quando nomeado, foi espinafrado por Francis, que destilou seu preconceito contra o Nordeste. As críticas geraram tantos protestos que um jornal de Pernambuco deixou de publicar sua coluna. Krause, o ofendido, se diz fã do jornalista, assume ser mesmo jeca e caipira e diz aquilo que eu penso: Paulo Francis e sua incorreção política fazem muita falta ao Brasil. Acrescento: fair play como o de Krause, também! 
Escrito por Bruno Rabello às 21h05
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Polemicaetano
Acho Caetano Veloso um dos maiores artistas vivos e admiro sua enorme capacidade de se reinventar a cada novo disco e, principalmente, a cada novo show. Gosto do fato de ele não se furtar em dar opinião, seja quando questionado, seja espontaneamente, refresco muito bem vindo em tempos de correção política, em que ninguém quer assumir posição alguma ou, o que é pior, em que quase ninguém tem opinião sobre nada. A repercussão – quase sempre exagerada – de suas declarações/opiniões invariavelmente me diverte e imagino que a ele também. Não me lembro, contudo, de uma semana em que suas opiniões ecoaram de forma tão retumbante. Na 3ª-feira, a primeira página do Segundo Caderno d’O Globo foi inteirinha dedicada a ouvir a classe artística sobre comentários feitos por Caetano a respeito de Woody Allen (outro grande artista de quem sou assumidamente fã). Em meio a vários elogios (“grande herdeiro do cinema nova-iorquino, independente de Los Angeles”, “um cara legal, com frases brilhantes”, “com algumas cenas espetaculares como ator”, que “canta muito, muito bem na cena curta em que o faz, em Everybody says I love you”), Caetano chama Allen de “careta” (já que seu cinema não tem espaço para gay, maconha, rock) e de “cineasta pequeno”, cujos filmes são perfeitos para a TV, mas que não o motivam tanto a sair de casa. Estas expressões (“cineasta pequeno” e “careta”) foram tiradas do contexto do resto da entrevista e submetida a várias pessoas da classe artística, que se dividiram, como torcedores de futebol, entre os dois grandes artistas. No mesmo dia, na página 2 do Segundo Caderno, o segundo disco de Pedro Miranda recebia fartos elogios da crítica especializada. O destaque da matéria, contudo, era... Caetano. Pelo singelo motivo de dar seu aval ao excelente sambista do Grupo Semente (o que acompanhava Teresa Cristina, em suas noitadas na Lapa). Na quarta-feira, procurado pelos jornais para dar um depoimento sobre a morte de Claude Lévi-Strauss, nominalmente citado na canção “O Estrangeiro”, Caetano escreveu artigo na Folha de São Paulo que foi publicado com enorme destaque. Aproveitou a deixa para reclamar do pouco caso dado ao falecimento de Neguinho do Samba, percussionista fundador do Olodum. Obviamente, a reclamação em si bastou para que o fato fosse destacado. Na quinta-feira, o “Estado de São Paulo” publica entrevista com Caetano (com chamada na primeira página) em que ele (além de opinar sobre várias outras coisas) declara voto em Marina Silva, assim o justificando: “É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”. No dia seguinte, a entrevista repercutia: chamada na primeira página d’O Globo, página inteira no interior com a manchete “Caetano chama Lula de analfabeto e irrita o PT”, e, novamente, várias pessoas comentando suas declarações... No sábado, sua onipresença nos jornais foi objeto de uma coluna inteira do Arnaldo Bloch, ironizando a imprensa e declarando em tom jocoso que, ao contrário do que afirmara Caetano “Woody Allen é gay”, já que seu novo filme tem sim um personagem que “sai do armário”. Fechando a semana, a charge da primeira página do Chico Caruso n’O Globo tem o título “Surpresas supreendentes que jamais acontecerão” e uma imagem de Lula, com a frase “Marisa, querida, vamos ver o show de Caetano?” A “Figuraça da Semana”, eleita pelo Agamenon é Woody Allen e a foto exibida... de Caetano (para quem não tem hábito de ler a engraçadíssima coluna dominical, o Agamenon, alter-ego do Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, sempre nomeia uma pessoa e coloca a foto de outra). Segundo a coluna, “... Caetano disse que Woody Allen é muito hétero e o Lula muito analfabeto. Mas a polêmica não deu em nada porque Woody Allen não sabe português e Lula não lê jornal” e “no fundo, Caetano é ressentido com Woody Allen porque o consagrado cineasta, ao contrário do Pedro Almodava [sic] nunca o convidou para cantar ‘Cucurucucu Paloma’ num filme seu”. E o ombusdman da Folha critica o jornal por não entender o porquê do artigo de Caetano sobre Lévi-Strauss ter ocupado a maior parte da cobertura! Que eu seja um grande fã de Caetano não quer dizer, obviamente, que eu concorde com tudo que ele diz (acho desmedida e injustificada sua admiração pelo Mangabeira Unger, só para exemplificar). Louvo que seja ele sempre a decidir o que dizer e não assessores de imprensa, preocupados com possíveis arranhões em sua imagem. A repercussão de suas declarações – desmedida, repito – não é culpa sua, mas de uma imprensa bocó e sem assunto, que sempre destaca o lado mais escandaloso/sensacionalista da coisa, mesmo que isso seja secundário e irrelevante e acabe desviando o foco do assunto principal. Por fim, de tudo o que saiu publicado sobre Caetano nesta semana, o que mais gostei foram as notas informando que, a MTV, depois de ouvir muitos nãos, vem movendo mundos e fundos para convencê-lo a gravar um cd/DVD para a série Acústico. Torço para que isso se concretize e aposto que Caetano daria uma boa revigorada no hoje desgastado formato! 
Escrito por Bruno Rabello às 10h35
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Sobre tomadas - ainda - e grama...
Ainda sobre a nova tomada, tudo o que eu queria dizer no post anterior foi dito de forma mais bem humorada pelo João Ubaldo Ribeiro em artigo chamado “Plugue deles, tomada nossa”. Depois de dizer que dá “Dá gosto ver como velam e zelam por nós” e de lembrar de exemplos em que, “seja em nome de nossa proteção, seja por conta de nossa maior comodidade e felicidade, nos regulam a conduta ou nos obrigam a alguma coisa” (lembram-se do kit de primeiros socorros para motoristas que foi por alguns meses obrigatório, até descobirem, depois de todo mundo ter comprado o seu, que ele não servia para nada?), arremata: “Não sei onde será dado o próximo passo, mas creio que uma área ainda não visada poderá vir a tornar-se objeto de legislação protetora e reguladora. O homem é o que ele come e sabe-se que talvez a maior parte dos problemas de saúde pode ser evitada ou minorada por uma alimentação natural e sadia. Meu único receio é que, baseados em nossa índole, eles nos prescrevam grama”. Bingo!!
A tomada da discórdia...
Escrito por Bruno Rabello às 10h31
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Vamos ter que engolir
Foi com desânimo que ouvi a notícia de que o Brasil adotará, a partir do próximo ano e a pretexto de maior segurança, um novo modelo de tomada, com três pinos. Assim, a partir de 2010, todo aparelho elétrico produzido ou importado pelo Brasil deverá seguir este modelo. Os atuais ainda poderão ser comercializados até 2011. Prejuízo certo – além de aporrinhação – para toda a população, com exceção de eletricistas e produtores de tomadas e adaptadores! Mas as coisas ainda são piores: concebido pelos çábios (com a licença do Elio Gaspari, que cunhou o termo) do Inmetro, o novo modelo é original (leia-se: nenhum outro país o adota!!). Como não é de se supor que o Brasil tenha adotado tecnologia de ponta neste assunto, eu me pergunto: a quem esta “tomada-jabuticaba” intere$$a? Cadê o Ministério Público (a quem incube defender o interesse da sociedade) que não abre um inquérito civil para apurar isso ou estuda uma medida legal para evitar o transtorno? Não consigo imaginar uma coisa do tipo sendo enfiada goela abaixo da população dos países da Europa, sem protestos generalizados. Cada povo tem os burocratas que merece.
Escrito por Bruno Rabello às 23h17
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Peças
Para quem curte bom teatro, o fim de semana em Belo Horizonte foi especial, com duas montagens cariocas, elogiadas pela crítica local, em cartaz. Na sexta-feira assisti a Dois Perdidos Numa Noite Suja, peça já clássica escrita por Plínio Marcos, que conta a história de Paco e Tonho (André Gonçalves e Freddy Ribeiro, ambos excelentes em cena), dois miseráveis que dividem um quarto em uma pensão infestada de pulgas e que trabalham como carregadores em um mercado. O texto é centrado na relação doentia entre os dois, onde o fato de um deles (Paco) ter um sapato decente (que ganhou se prostituindo) causa profunda inveja no outro, que atribui sua situação de penúria e a dificuldade de conseguir emprego à falta do acessório. Paco percebe o fascínio do outro pelo seu “bem” e se vale disso para se mostrar superior (embora seja menos instruído) e aterrorizar psicologicamente Tonho, o que, é claro, acarretará uma tragédia. Boa montagem que merecia ter tido mais atenção do público mineiro: teatro vazio (menos de 30 espectadores) e nem mesmo os aplausos vigorosos dos presentes conseguiram disfarçar o constrangimento. No domingo foi a vez de Tom e Vinícius – O Musical, texto de Daniela Pereira Carvalho e Eucanaã Ferraz, com Marcelo Serrado no papel do compositor e Thelmo Fernandes, no do poeta. Confesso que, embora tenha verdadeira adoração pela dupla, não me sentia muito entusiasmado a ver a peça, tanto que a esnobei nas vezes em que estava no Rio e ela estava em cartaz. O que eu temia se mostrou verdadeiro: texto fraco, situações retratadas são as óbvias e conhecidas. Apesar disso, a peça tem qualidades de sobra, a começar pelos ótimos desempenhos dos dois atores principais, que, sem nunca soar caricatos, incorporam detalhes e trejeitos dos biografados de uma maneira deliciosa. O elenco de apoio (seis outros atores e cinco músicos) também estava impecável: afinadíssimos, conseguiram emocionar a platéia contando e cantando a amizade de dois gênios da nossa cultura.
Escrito por Bruno Rabello às 09h26
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Ótima conversa, excelente comida: uma noite no Alice
O restaurante Alice, em Brasília, é freqüentemente apontado como um dos melhores da cidade (melhor francês do ano passado, segundo a Veja Brasília), mas até esta semana ainda não tinha tido a chance de conhecê-lo. Como iria ciceronear duas pessoas de muito bom gosto (os Humbertos Theodoros, Júnior e Neto), achei (na verdade, o Humberto Neto já queria ir lá) que era uma boa pedida e rumamos para a casa que fica na QI 17, do SHIS. Mesmo temendo que pudesse ser uma refeição um tanto pesada para o jantar, não resisti quando li “cassoulet” no cardápio e acabei pedindo a “feijoada” francesa, feita com embutidos, carne de pato e feijão branco, prato que não é muito comum de se achar nos cardápios dos restaurantes brasileiros. O prato (R$ 55,00, dentro da média dos bons restaurantes de Brasília) chegou servido numa caçarola (Le Creusete!) e estava impecável: as carnes macias e selecionadas, porção bastante farta e, o que foi o melhor e surpreendente, de muito fácil digestão. À deliciosa refeição somaram-se um bom vinho (escolhido por eles, que do assunto bem entendem) e uma conversa agradabilíssima. O Professor Humberto Theodoro Júnior é, provavelmente e dentre as pessoas que conheço, quem mais se encaixa na definição de “verdadeiro gentleman” – culto, elegante, educado, gentil – e o Humberto Neto, também nesse aspecto, promete honrar seu pai.
Escrito por Bruno Rabello às 15h41
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Indignação, de Philip Roth
Já há alguns anos, sempre que se anuncia o vencedor do prêmio Nobel de literatura, os críticos lamentam que Philip Roth tenha sido preterido. A julgar pelo que conheço de sua obra, eles têm razão. Indignação (Cia das Letras, 176 páginas) é mais um ótimo e compacto livro do premiado escritor americano de quem já li Complexo de Portnoy, O Animal Agonizante (que deu origem ao filme Fatal, com Penélope Cruz, sobre o qual escrevi aqui) e A Marca Humana. Sem querer contar muito (detesto aquelas orelhas que adiantam o que vai acontecer por volta da metade do livro), o livro é narrado em primeira pessoa por Marcus Messner, jovem judeu, filho único de um açougueiro kosher, que se torna a primeira pessoa de sua família a ingressar na faculdade, durante os primeiros anos da Guerra da Coréia. Embora sempre tenha sido aluno exemplar, responsável e trabalhador, vê seu pai cada vez mais preocupado com seu futuro e segurança (verdadeira paranóia) a ponto de, sentindo-se sufocado, pedir transferência de faculdade, ainda no primeiro ano, para uma faculdade bem distante de casa. Com a intenção de se dedicar apenas aos estudos e justificar o investimento da família, procura não se meter em fraternidades, bebedeiras e farras, tão comuns em universidades. No entanto, sua obstinação não é suficiente para mantê-lo longe de problemas; sua opção pelos estudos, trabalho e solidão e até mesmo seu relacionamento privado com uma outra aluna incomodam o campus. Por trás desta breve sinopse – que mais esconde que revela – se descortina um livro vigoroso, em que o modo de pensar dos EUA da década de 1950 e seu impacto sobre a vida privada (neste aspecto, lembrei-me de Revolutionary Road) são narrados de forma concisa e envolvente.
Escrito por Bruno Rabello às 15h38
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MST: crime no Brasil, festa em Paris... E nós pagando a conta!
Quem não se deixa cegar pelas convicções políticas, dificilmente não se indignou com as imagens amplamente exibidas pela TV na semana passada em que uma ala radical do MST (dou aqui o benefício da dúvida sobre a existência de uma ala menos radical) destruiu centenas de pés de laranja em uma fazenda no Estado de São Paulo (além de depredar seu maquinário e sede). Vale lembrar que não é a primeira vez que isso acontece (em 2006, sob a bandeira da Via Campesina, a vítima foi a Aracruz, com a destruição de laboratórios de pesquisa, comprometendo anos de trabalho). Dificilmente será a última. A tolerância do Poder Público para com a violação do direito de propriedade não se manifesta apenas na falta de repressão eficiente. A ausência de uma investigação séria sobre o modo de funcionamento do MST (notadamente a falta de empenho dos partidos governistas para a criação da CPI do Campo) e a impossibilidade jurídica (será??) de responsabilização da organização (destituída de personalidade jurídica) contribuem até mais para a sensação de insegurança e de impunidade que assustam o setor produtivo. Não se trata, já há algum tempo, de ataques a latifúndios improdutivos; as ações passaram a ser dirigidas ao próprio setor produtivo, demonizando o agro-negócio, tão importante para a economia do país, que nunca produziu tanto e a tão baixo custo (aliás, muitos dos “sem-terra” são recrutados nos centros urbanos e entendem patavina de campo). Por não reconhecer que o fortalecimento das liberdades e do direito de propriedade são condições mesmas dos avanços sociais, econômicos e políticos, o MST não os respeita. Pouco lhe importa que nossas leis e Constituição o garantam. A escolha de um Estado (São Paulo) e de um setor (laranjas) que não têm sido alvos prioritários do MST evidencia o componente político da ação: nada melhor que uma reação violenta do governo, de preferência com a criação de mártires, para desestabilizar eventual candidatura de José Serra. A situação é tanto mais grave porque é sabido que quem financia estas barbaridades acaba sendo o cidadão brasileiro que paga impostos e contribuições. Já se passou da hora de se escancarar os repasses feitos pelo Poder Público a este tipo de organização e talvez a melhor maneira de se fazer isso seja por meio de uma CPI. Em Paris, fiquei estarrecido ao sair da estação de Metro de Les Halles e me deparar com um “escritório” do MST em plena praça. Pessoal animado (a cidade faz bem à alma), bem humorado (quem pagava suas contas?), divulgando suas idéias sem ninguém a contraditá-las (o sonho de todo antidemocrata...).
Meu estômago embrulhou e foi a única foto que pensei em tirar!
Escrito por Bruno Rabello às 11h36
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Rio 2016, 2
Em Paris, perto do horário do anúncio da sede dos Jogos de 2016, voltei para o hotel para poder torcer ao vivo pela TV. Só consegui sintonizar uma emissora transmitindo a cerimônia: a TVE espanhola que, é claro, torcia desesperadamente por Madrid. Quando do anúncio, não consegui conter as lágrimas de felicidade. A vontade era sair gritando “Brasil!” ou “Rio” por toda Paris. No vôo de volta ao Brasil, muita gente da delegação brasileira, inclusive o Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, sem dúvida o principal responsável pela conquista. Repito o que disse aqui no blog há um mês atrás: acho que vai haver muita corrupção e desvio de dinheiro público, lamento pela falta de uma política pública para os esportes e, o mais difícil, torço para que possam vir a representar a redenção do Rio de Janeiro, cidade que tanto amo!
Escrito por Bruno Rabello às 08h47
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Fromage
Foram apenas duas noites em Paris, que deram para matar saudades daquela cidade que sempre vale uma visita. Ficamos em um hotel simples, mas cuja localização muito me agrada: Le Home Latin (105 € a diária, sem café da manhã ou frigobar no quarto), na Rue Du Sommerard, primeira paralela ao Boulevard de Saint Germain, a poucas quadras da Notre Dame, do Pantheon e do Jardin Du Louxemburg. Não sou de fazer compras quando estou viajando. No máximo, algumas bobagens como um pequeno enfeite para a minha estante de souvenirs e, talvez, uma camiseta do lugar. De vez em quando, caio na tentação de comprar alguma coisa mais "substancial", como no ano passado que comprei um tapete na Turquia. Bem pertinho do hotel, nas horas finais da viagem, descobri uma fromagerie (Laurent Dubois, Boulevard Saint Germain, Place Mauber Mutualitè) que me fez sucumbir: comprei vários tipos de queijos, cada um mais cheiroso (ou fedorento, dependendo do ponto de vista) que o outro. Embalados a vácuo, chegaram são e salvos no Brasil e já estão me olhando da geladeira, esperando para serem deliciados... Vai ser difícil perder, no curto prazo, os quilos acumulados na viagem! 
A tentação dos queijos.
Escrito por Bruno Rabello às 08h37
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