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Pensamentos nem tão profundos
 


Roça grande

Para quem gosta de bons shows e bons filmes, Belo Horizonte iniciou 2010 da pior forma possível, com a notícia dos fechamentos da Usina Unibanco de Cinema e do Music Hall.

O complexo de salas da Usina era um dos poucos cinemas em que filmes com menor apelo comercial conseguiam espaço e, não raro, se tornavam sucessos. A deliciosa comédia italiana Almoço em Agosto foi um dos últimos filmes que vi lá e ficou em cartaz por vários meses. Vai fazer muita falta para quem curte bom cinema e tenho certeza que muitos filmes deixarão de ser lançados em BH por conta deste vazio.

O Music Hall era uma excelente casa, com bom som (o que nem sempre acontece no Chevrolet “Marista” Hall) e que servia muito bem shows pequenos para o Chevrolet Hall. Foi lá que vi, no ano passado, a Roberta Sá e a Mart’nália em espetáculos animados (para se ver em pé, dançando) e que pareciam ser feitos sob medida para aquele espaço.

Ao contrário de grandes cidades, em que o fechamento de lugares deste tipo é amenizado pela existência de outros, com as mesmas qualidades, Belo Horizonte sentirá muita falta de ambos. Enquanto a falta não for suprida, a cidade continua fazendo jus ao "carinhoso" apelido que entitula este post.



Escrito por Bruno Rabello às 10h13
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Plantão médico

 

Aos 38 anos de idade, nunca havia feito um exame de sangue detalhado e, por isso, achei que estava na hora de fazer um check-up, em caráter, imaginava eu, puramente preventivo. Alimento-me razoavelmente bem, faço exercícios físicos regulares, nunca fumei, mas bebo bem (vinho, na maioria das vezes, 3 ou 4 vezes por semana).

O check-up, feito no Mater Dei, consistia basicamente em exame de sangue (colhido após jejum absoluto, inclusive de água, por 12 horas), urina, fezes, ultrassom e radiografia abdominais e teste ergométrico.

O único exame cujo resultado “vi” na hora foi o do teste ergométrico e neste sai-me muito bem, tendo o médico avaliado minha capacidade cardio-respiratória como excelente. Quanto aos demais exames, tive que volta ao hospital vinte dias após a realização dos mesmos para “receber os resultados”.

Embora esteja com incômodo sobrepeso, não estava nem um pouco preocupado (vá lá, só um pouquinho... Ia ser chato constatar colesterol ou glicose altos). Mas acabei tendo uma desagradável surpresa: o resultado do TSH, que deveria variar entre 0,3 e 5, deu absurdos 46,5, o que indicava um problema de tireóide. O exame vinha com a advertência de procurar um endocrinologista com urgência e, do hospital mesmo, já sai com pedido de novos exames mais detalhados.

Exames refeitos, resultado na internet, o hipotireoidismo foi confirmado. A estas alturas, já havia consultado o Dr. Google e me inteirado sobre esta disfunção, cujos sintomas clássicos, tirando o sobrepeso e, segundo alguns, o raciocínio lento, eu não apresentava.

Tenho uma doença auto-imune (Hashimoto), em que anticorpos do organismo atacam células da tireóide. Acomete principalmente mulheres (numa proporção de quatro para um) e é tratável com remédios (reposição hormonal, já que a glândula está comprometida). Provavelmente meu metabolismo irá acelerar com os remédios, o que pode ajudar a perder peso (assim espero!!). Temo pela qualidade do meu sono, que nunca foi das melhores, mas ultimamente, acho que pela doença, estava razoável.

Enfim, apesar de não ser nada muito grave, é claro que tomei um susto, principalmente levando-se em conta que eu não estava me sentindo mal e tampouco apresentava algo que poderia parecer um sintoma.

Obviamente, não é legal saber que terei que tomar remédios para o resto da vida, mas é melhor pensar tipo copo meio-cheio e ficar aliviado por não ser nada muito sério.

Com este relato, espero que minha experiência pessoal sirva de alerta para aqueles que, como eu, não faziam avaliação médica regular. Take care of yourself!



Escrito por Bruno Rabello às 21h47
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Inferno Astral

Antes de estourar o escândalo do mensalão do Arruda, havia grande excitação em Brasília para a comemoração do aniversário de 50 anos da cidade. Falava-se muito sobre a possibilidade de shows do Paul McCartney ou Madonna, o Governo do DF patrocinou a escola de samba Beija-Flor, eram esperados um sem número de eventos comemorativos menores.

Hoje, faltando menos de 80 dias para o aniversário, impera o baixo astral. Acabo de ler no blog do Josias de Souza que Roberto Carlos recusou convite para se apresentar na cidade e que seu empresário, Dodi Sirena, fez questão de deixar claro que a recusa se devia exclusivamente ao autor do convite. No Rio, fala-se que a Beija-Flor está com medo de levar uma grande vaia ao entrar no Sambódromo.

Enquanto isso, os aliados de Arruda dominam a CPI da Câmara Distrital e preparam a massa para as pizzas. Mas o pior de tudo é o número crescente de adesivos que vejo com o nome de Joaquim Roriz, sabidamente o governador mais corrupto do DF e quem estruturou todo o esquema que foi mantido pelo atual governo. Quando se achava que o pior já tinha acontecido...

 



Escrito por Bruno Rabello às 13h45
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Vou começar a piar... Quem vai me seguir?

Fiquei muito surpreso quando soube que José Saramago mantém, com seus 87 anos, um blog (http://caderno.josesaramago.org). Em recente entrevista, por ocasião do lançamento de seu último romance, perguntaram-lhe se ele pretendia aderir ao twitter. Saramago não apenas negou, mas cunhou uma frase de efeito deliciosa (“de degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”) da qual sempre me vali para responder aos que insistiam para que aderisse ao microblog de 140 caracteres.

Resisti bastante,até que, na semana passada, fui criar o meu perfil e qual não foi minha decepção quando soube que já não havia disponíveis os endereços brunorabello ou bruno_rabello. Acabei criando a minha conta com um endereço não tão fácil de memorizar (bruno_r_rabello), mas que pelo menos reflete, de alguma forma, o meu próprio nome.

E, como “só não muda de calçados ou de opinião, quem anda descalço ou de cabeça vazia”, estou entusiasmadíssimoo com o poder do twitter, que vai bem além daquilo que eu supunha (um bando de bocós recebendo mensagens de celebridades do tipo “acordei!”, “fui à academia”, etc.).

Ainda não twittei nenhuma vez, mas pretendo começar a fazê-lo agora. Há mensagens que eu gostaria de enviar, mas que não se encaixam com o blog. Que são para ser lidas, esquecidas, ignoradas e descartadas em pouco segundos (uma piada rápida, uma dica de restaurante sem que tenha que desenvolver o assunto, um aviso de que já começaram a vender ingressos para um espetáculo, uma boa frase, etc.). Não se trata de grunhido, mas de uma forma rápida e divertida de dizer alguma coisa para aqueles que te seguem.

O Rodrigo Nocchi, meu amigo bem mais novo e twitteiro quase que profissional (pelo menos para os meus parâmetros) me deu um ótimo exemplo de como o mundo corporativo vem se rendendo ao twitter. Menos de 15 minutos após ter postado uma mensagem reclamando que não achou determinado ingrediente em um supermercado do Rio, foi contactado pelo próprio supermercado que se justificava e prometia o produto para dali a dois dias! Uma de suas padarias preferidas, avisa os que a seguem no twitter do que acabou de sair do forno. O segredo é escolher quem vale a pena seguir.

Estou cadastrado há apenas três dias e estou “seguindo”, por enquanto, quatro pessoas: dois amigos e duas pessoas referêcnias em seus ofícios (o crítico de cinema Pablo Villaça, editor do site Cinema em Cena, e a chef de cozinha Roberta Sudbrack, dona do restaurante do mesmo nome que eu sou doido para conhecer). Enquanto meu computador está ligado, deixo aberta a página inicial e recebo os twitters destas pessoas. Por enquanto estou adorando especialmente os da Roberta Sudbrack (em que ela diz o que encontrou de bom na feira, em que ela diz o que está cozinhando, o que anda inventando, etc.).

Se você acha esse negócio de twitter uma grande bobagem, esteja preparado para mudar de opinião. E aproveite o meu conselho: crie o seu perfil o mais rápido possível, antes que algum homônimo se apodere do nome que você gostaria de usar. Fiquei sabendo hoje, via twitter, que a taxa mensal de novas contas de usuários atingiu um pico em julho de 2009 e é atualmente de cerca de 6,2 milhões de novas contas por mês. 25% das contas estão inativas e 40% delas nunca enviaram mensagens.

 

Ou seja, se você vai piar ou não, it's up to you. Mas na twittosfera, é melhor garantir o seu lugar.



Escrito por Bruno Rabello às 16h33
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Nas nuvens

Amor sem Escalas (quem são os idiotas que inventam estes títulos em português??), Up in the Air no original, foi um dos filmes mais premiados do ano passado e certamente receberá várias indicações para o próximo Oscar. Tem momentos deliciosos, tiradas inteligentes e é, sem sombra de dúvidas, uma grande diversão, ainda que, em alguns aspectos superestimada. Não consigo entender, por exemplo, as indicações (Globo de Ouro, SAG) recebidas pelas atrizes coadjuvantes. Anna Kendrick está melhor no geral, mas há uma cena – em que ela tem uma crise de choro ao ser dispensada pelo namorado – em que seu desempenho chega a ser constrangedor. Já George Clooney, que muitas vezes pode ser canastrão, está ótimo.

No filme, ele interpreta Ryan Bingham, um dos melhores funcionários de uma empresa de consultoria encarregada de dar a empregados de outras companhias a traumática notícia de que estão sendo despedidos, oferecer-lhes um kit com orientações e promessas de assessoria e dizer-lhes palavras de incentivo. Completamente dedicado ao trabalho, passa a maior parte do seu tempo viajando (como pego avião toda semana, achei particularmente engraçado e fiel o retrato do viajante contumaz, que sabe se livrar das potenciais roubadas que costumam acontecer nos aeroportos), tendo construído um modo de vida que não tem lugar para família ou relacionamentos estáveis. Fidelidade, somente a programas corporativos (American Airlines, Hertz, Hilton), que lhe garantem tratamento especialíssimo e, também um certo glamour. Certo dia, porém, seu trabalho (ou o modo de realizá-lo) é posto em cheque por uma jovem recém formada (Kendrick) que, pregando reduções de custo operacional, vende a idéia de que as demissões não precisam ser feitas necessariamente cara a cara, podendo perfeitamente utilizar a internet. Para demonstrar o contrário, ele recruta a jovem para acompanhá-lo durante algumas de suas viagens.

É compreensível que o filme tenha tocado os EUA de forma especial, já que aquele país ainda sente os efeitos da crise econômica mundial e do desemprego e é notável que muitos dos depoimentos vistos no filme foram feitos por pessoas reais e não por atores. O filme, embora conduzido com leveza e bom humor (mérito do diretor que acertou no tom), está bem mais perto do drama do que da comédia romântica (daí o título nacional ser propaganda falsa). Não fossem por duas cenas totalmente forçadas ou desnecessárias (o improvável diálogo entre o personagem de Clooney e seu cunhado, que ele acabara de conhecer, horas antes do casamento deste e a epifania durante uma palestra motivacional, puro clichê), o filme seria excelente. Com estes pecadilhos, é ainda um filme muito bom e acima da média.



Escrito por Bruno Rabello às 08h58
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Balanço Cultural - cinema - final

Da safra do Oscar, meu favorito foi Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road), que não fez muito sucesso. Kate Winslet deveria ter levado a estatueta por este filme e não por O Leitor (The Reader). Adorei também Frost/Nixon e Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire).

Os minutos iniciais de Up, a última animação da Pixar, são geniais e comoventes e, aposto, fizeram muito marmanjo chorar no cinema (novamente aqui o tema da velhice, assunto onipresente no meu balanço cultural!!). As cenas mais engraçadas no ano estavam em Brüno, com o humor politicamente incorreto e debochado de Sacha “Borat” Baron Cohen.

No penúltimo dia do ano, após duas tentativas frustradas que me fizeram comprar ingressos com um dia de antecedência (fato inédito), finalmente conseguir assistir Avatar! E sai embasbacado não apenas com o visual do filme (que TEM que ser visto no cinema e em 3D!!), mas também com sua história. É sim, como muita gente apontou, uma espécie de Dança com Lobos interplanetária, uma fábula ecológica, pacifista e oportuna. Mas também é mais do que isso. Tecnologia revolucionária, totalmente a serviço do enredo do filme. Sem dúvida, um marco na história do cinema, que dificilmente será o mesmo depois de Avatar.

 

 

 



Escrito por Bruno Rabello às 13h31
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Balanço Cultural - cinema - parte II

Não me lembro de um ano em que tenha visto, proporcionalmente, tantos filmes não americanos. E tantos filmes nacionais (23, sendo que 6 documentários, a grande onda atual). Dos filmes nacionais, Apenas o Fim foi uma grata e agradabilíssima surpresa que já comentei aqui. Pena que o filme não tenha repercutido tanto fora do Rio de Janeiro. Também gostei muito de À Deriva.

E se alguém ainda tem alergia a filme nacional, apenas dois destes filmes eu considero realmente muito fracos: Budapeste, baseado no livro do Chico Buarque e Do Começo ao Fim, que trata do amor incestuoso e homossexual entre dois irmãos e que prometia muita polêmica quando seu trailer vazou na Internet.

Budapeste é confuso, pretensioso, chato e sem ritmo. Para mim apenas o desempenho de Leonardo Medeiros se salvou, o que é muito pouco para um filme que tinha grandes ambições artísticas. Do Começo ao Fim é uma bobagem. Um tema pesado que não foi problematizado e não cumpriu nada do que prometeu. O amor tabu tratado como propaganda de margarina, sem conflitos internos dos envolvidos e tampouco reprovação por parte dos pais.

Divã, A Mulher Invisível e Os Normais 2 foram comédias despretensiosas e divertidas, merecidos sucesso de público. Jean Charles é um filme pelo qual eu dava muito pouco, e talvez por isso – e pelo Selton Mello – foi uma grata surpresa. Tempos de Paz foi uma boa transposição para as telas da premiadíssima peça teatral Novas Diretrizes em Tempos de Paz. A Festa da Menina Morta foi um filme estranho, diferente, difícil, mas que fica na cabeça.

Dos estrangeiros, Valsa com Bashir, a animação para adultos israelense que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro foi um grande filme, inovador, ousado e polêmico, já que trata de abusos do exército de Israel no Líbano. Também gostei muito de Lust, Caution (Desejo e Perigo), o épico de Ang Lee passado na China. Finalmente, destaco a deliciosa comédia italiana Almoço em Agosto, que por ser tão simples e despretensiosa acabou surpreendendo e fazendo sucesso. Entre os Muros da Escola, Palma de Ouro em Cannes, chocou ao mostrar que, em tom semi-documental, que a realidade da educação pública nos subúrbios de Paris não é muito diferente da das periferias dos grandes centros brasileiros: professores achacados, violência, desinteresse e ignorância. Finalmente, o sueco Deixe Ela Entrar é um filme de vampiro original, triste e melancólico, que merece ser visto.



Escrito por Bruno Rabello às 12h01
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Balanço Cultural - cinema - parte I

Dos quase 150 filmes que assisti no ano, destaco os novos do Tarantino (Bastardos Inglórios), Almodóvar (Abraços Partidos) e Woody Allen (Tudo Pode dar Certo, fraca tradução para Whatever Works), sem dúvida nenhuma três dos meus cineastas favoritos, dos grandes diretores da atualidade e que, não por coincidência, costumam filmar seus próprios roteiros.

Curiosamente, os três se valem da metalinguagem, tendo o próprio cinema como elemento importante da trama. Apesar de possuir uma cultura cinematográfica considerável, não consegui captar nem mesmo um décimo das referências e homenagens que Tarantino inseriu nesta sua grande obra. Isso não impediu que eu – e que todo mundo – adorasse o filme. Os 20 minutos iniciais são impecáveis e por si só já bastariam para colocar o filme em qualquer lista dos melhores do ano. O que se vê a partir daí não fica muito aquém e comprovam a genialidade de Tarantino, que mais uma vez surpreende a todos. Fico na torcida para que Christoph Waltz (que faz o Coronel Hans Landa), ganhe todos os prêmios de interpretação do ano.

 

Christoph Waltz como o coronel nazista de Inglourious Basterds

A maioria da crítica desceu a lenha em Abraços Partidos, mas o novo Almodóvar é muito superior a quase tudo que vi no ano. Mesmo que não alcance o nível de Tudo Sobre Minha Mãe ou Fale Com Ela, trata-se de um típico filme do diretor mais provocador da última década, com imagens marcantes e uma Penélope Cruz novamente esplendorosa. Um pecado, perfeitamente perdoável, do filme é a cena final, em que a homenagem ao cinema que esteve visível e latente durante todo o filme, se explicita de maneira desnecessária, como que subestimando a inteligência de sua audiência.

 

Penélope Cruz, no cartaz de Los Abrazos Rotos

 

As críticas feitas ao novo Almodóvar são em geral do mesmo tom das que são feitas aos filmes do Woody Allen (repetitivo, esgotado, não alcança o nível de seus melhores trabalhos, etc.). Parece-me que há um certo prazer em malhar seus novos trabalhos, cobrando-lhes mais do que se exige de qualquer outro diretor. Mas mesmo nos piores Woody Allen, sempre é possível encontrar momentos geniais e frases memoráveis (“um negro pode chegar à Casa Branca, mas não consegue pegar um táxi um Manhattan” é uma das pérolas de seu novo filme, previsto para estrear apenas em março de 2010 e que nem de longe pode ser taxado com ruim. Novamente aqui é a velhice o tema abordado. Larry David, um dos roteiristas de Seinfeld e ator da série Curb Your Enthusiasm encarna o alter ego de Allen (e é fácil imaginar o próprio dizendo as frases que saem de sua boca): um sexagenário hipocondríaco, que chegou a ser cotado para o prêmio Nobel de Física, atualmente professor de xadrez para crianças, que despreza seus alunos (e os diz isso!) e quase toda a humanidade, mas que se apaixona e se casa por uma jovem de vinte e poucos anos, semi-analfabeta, do meio-oeste americano que chega a Nova York para tentar ganhar a vida. Freqüentemente, o protagonista dirige-se à platéia para comentar alguma situação (recurso já utilizado em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e que se mostra eficiente), não nos deixando esquecer que estamos diante de um filme. E de ótima qualidade! O desfecho desta improvável estória de amor é delicioso e o título em inglês – que eu traduziria para “Do Jeito Que Funcionar” – mais adequado e o usado pela distribuidora nacional.

 

 

O cartaz de Whatever Works, o Woody Allen do ano

A julgar pelos três filmes de 2009, mal posso esperar para ver os próximos trabalhos destes três grandes craques.



Escrito por Bruno Rabello às 00h41
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Balanço Cultural - espetáculos

Assisti a 37 vezes peças no ano (esse sim, um número que acho respeitável). Como já disse antes, o teatro me passa uma sensação de urgência, já que a peça “perdida” é quase impossível de ser recuperada (diferente do cinema, que sempre tem o DVD). Por conta disso, não economizo esforços para ver os espetáculos que me interessam, seja porque foram elogiados pela crítica especializada, seja porque tiveram uma significativa repercussão.

Em 2009 vi consagrados atores atuarem em peças que não me disseram muita coisa. Já comentei anteriormente minha decepção com o Hamlet protagonizado por Wagner Moura (em que pese sua boa performance). Também vi o ótimo desempenho de Marília Pêra em uma peça apenas razoável (Gloriosa, de Peter Quilter) e a comovente e impressionante entrega física de Sérgio Britto, 86 anos, em duas peças curtas de Samuel Beckett (A Última Gravação de Krapp e Ato Sem Palavras I).

Entre as melhores peças que vi - além de A Alma Boa de Setsuan, de Bertold Bretch e Rock’n Roll, de Tom Stoppard, ambas já comentadas aqui, gostaria de destacar algumas outras.

Em passagem por SP, vi Agreste, de Newton Moreno (o mesmo autor de As Centenárias, sucesso com Marieta Severo e Andréa Beltrão), no mesmo teatro (Espaço Parlapatões) em que o dramaturgo Mário Bortolotto viria a ser baleado meses depois. A peça já estava em cartaz há alguns anos e aproveitei um pernoite em Sampa para conferir e me comovi com a história de um amor proibido no sertão nordestino. Belo texto, ótimos atores e inovadora montagem que, depois de um estranhamento inicial, acaba arrebatando a platéia.

Na minha última passada pelo Rio, conferi o sucesso Hairspray, dirigido por Miguel Fallabela e estrelado por Edson Celulari, Arlete Salles e Simone Gutierrez, esta no papel da menina gordinha que sonha em ser estrela de um programa de tv na Baltimore dos anos 60. Não esperava grande coisa, mas me diverti pacas e acho que a montagem brasileira foi tão primorosa que dificilmente poderia ser tida como inferior à da Broadway.

Também de altíssima qualidade (característica marcante da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho) foi a montagem de Avenida Q, o musical politicamente incorreto (não poupa negros, gays, judeus e ex-BBBs), com canções hilárias e letras afiadas (lembro-me especialmente de A Internet é pornô), que mistura no palco atores e bonecos (na verdade fantoches, manipulados pelos próprios autores) de maneira impressionantemente convincente.

Não se trata propriamente de teatro, mas fiquei encantado com o grupo suiço Mummenschanz que se apresentou para um Palácio das Artes com apenas metade de sua ocupação. O espetáculo - comemorativo dos 40 anos da companhia - foi uma encantadora mistura de circo, teatro de fantoches e ilusionismo que levou ao delírio as crianças de todas as idades que foram conferi-lo. Definitivamente, um dos melhores momentos que passei no teatro em 2009!



Escrito por Bruno Rabello às 09h30
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Balanço Cultural 2009 - Livros

Dos 21 livros que li neste ano (número do qual não me orgulho, diga-se de passagem), três cuidam do tema da velhice, cada um a seu modo: Leite Derramado, de Chico Buarque, O Albatroz Azul, de João Ubaldo Ribeiro e Homem Comum, de Philip Roth. Gostei MUITO de todos eles e até ontem estava convencido de que Leite Derramado era, para mim, o livro do ano... Mas aí veio o do Roth (comentado no post anterior) e, no apagar das luzes, ocupou este lugar. Notem que considero os livros que li em 2009 e não apenas os que foram lançados neste ano!

Outros excelentes livros que li e que comentei aqui anteriormente foram Foi Apenas um Sonho, de Richard Yates, O Tigre Branco, de Aravind Adiga, Indignação, de Philip RothO Seminarista, do Rubem Fonseca, pode não estar no nível destes, mas é uma boa diversão. Gostei muito de A Estrada, de Cormac McCarthy, em que um pai e um filho lutam pela sobrevivência num mundo pós-apocalipse. O livro foi filmado e o filme, que recebeu boas críticas nos EUA, deve estrear em breve.

Mas em 2009 não tive apenas prazer com os livros. Tive grande dificuldade – e só cheguei ao fim devido ao meu pudor de não largar o livro no meio – com O Jogo da Amarelinha, considerado a obra-prima de Julio Cortázar. Simplesmente o livro não me “pegou” (ou, mais provavelmente, eu é que não o "peguei"). Embora consiga perceber que estilisticamente possa ter sido inovador, me pareceu uma masturbação intelectualóide que me deu uma sensação desagradável de esforço e tempo perdidos. Também não consegui entrar no clima do elogiado Uma Vida Interrompida, de Alice Sebold, outro que virou filme (dirigido por Peter Jackson, o mesmo da trilogia O Senhor dos Anéis e do último King Kong) que não tarda a estrear.



Escrito por Bruno Rabello às 02h34
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Uma pequena grande obra

A primeira cena de Homem Comum (Companhia das Letras, 131 páginas), o excelente livro de Philip Roth que acabei de ler hoje, é o enterro de seu protagonista, ao qual comparecem seus três filhos, uma de suas três ex-esposas, seu único e mais velho irmão (com a cunhada) e uma enfermeira que dele cuidou quando de uma antiga cirurgia.

A partir daí, passa-se a narrar, nem sempre de forma linear, a trajetória da vida deste personagem anônimo, desde sua infância (quando sofreu a primeira cirurgia), passando por seus casamentos e casos extra-conjugais, sua bem sucedida carreira no meio publicitário até encontrá-lo com a saúde debilitada por várias outras intervenções médicas, quando “o tempo transformara seu corpo num armazém de aparelhos artificiais cuja função era adiar o colapso”.

Em poucas páginas, Roth descreve sem sentimentalismos as sensações deste homem comum que, depois de uma vida que não se pode chamar de curta (ele já passou dos 70 anos) ou de monótona, vai tomando consciência de sua finitude e avaliando o seu legado.

Escrevo ainda sob o impacto deste quinto livro de Roth que li (depois de A Marca Humana, Complexo de Portnoy, O Animal Agonizante e Indignação), o terceiro desde que comecei o blog. Gostei muito de todos, mas este me tocou de uma maneira especial, muito (mas não apenas) pelo fato de o protagonista ter uma idade parecida com a do meu pai, o que inevitavelmente me faz pensar o quanto as reflexões e angústias daquele são as mesmas deste.

Definitivamente não se trata de uma diversão leve e prazerosa, mas é sem dúvida nenhuma uma grande obra de arte (apesar das poucas páginas), que desnuda aspectos da natureza humana e da velhice de um modo que nunca havia lido. Tocante no conteúdo e brilhante na forma, sendo várias as frases e passagens memoráveis, que fiz questão de sublinhar em meu exemplar.



Escrito por Bruno Rabello às 02h05
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Rio - Restaurantes

Além de comer em alguns restaurantes que já estão entre os meus favoritos (é o caso do Azumi e do Belmonte, já mencionados aqui), aproveitei para conhecer outros dois: o Intihuasi e o Carlota.

Tenho um fraco por culinária regional ou étnica e o que me atraiu no primeiro, foi o fato de ele ser o único restaurante especializado em comida peruana do Rio (o que significa que o Rio tem um restaurante peruano a mais que BH e Brasília, juntas!). A culinária peruana está em elevadíssima conta e li recentemente que Lima tem uma reputação de ótimos restaurantes. Quando estive lá, almoçamos, eu e o Bernardo Portugal, em um restaurante maravilhoso, chamado Rosa Náutica, todo de madeira e que se projeta por cima das águas do Pacífico. Não me lembro do que comi, apenas que paguei caro e adorei.

O Intihuasi, simples e despojado, funciona em um pequeno espaço no Flamengo e me pareceu um favorito dos locais, pois estava bem cheio naquela chuvosa noite de sábado. Destaque para o circuito de ceviches (camarão, lula, cogumelos, linguado) que estava ótimo, mas, infelizmente, desfalcada das vieiras! Tudo regado a muitos piscos sour, como manda a tradição.

O "circuito de ceviches"

O Carlota, elogiadíssimo pela Liana, me pareceu correto, menos caro do que imaginava, comida gostosa e atendimento eficiente. Mas talvez pela expectativa, confesso que esperava mais, já que o restaurante também é exaltado pela crítica especializada. Tudo estava gostoso, mas nada marcante, que me fizesse ter vontade de voltar. Pedimos de entrada o Plateau Pernambuco (R$ 40,00) em que são servidas as versões de petiscos brasileiros (bolinhos de arroz, de aipim, pastéis de camarão, e de shitake) feitas pela chefe Carla Pernambuco. O meu risoto de arroz negro com pato desfiado e limão siciliano estava correto e farto assim como o tournedo de atum com molho de gengibre que a Vânia pediu. Talvez tenha sido a alta expectativa, o fato de esperar algo a mais do restaurante, que me fez sair com uma ponta de decepção.



Escrito por Bruno Rabello às 10h33
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Rio - Peças

Sempre que vou ao Rio, procuro dar uma conferida nas peças em cartaz, fazer alguns programas gastronômicos e ouvir o bom samba da Lapa. Adoro praia, caminhar no calçadão, na Lagoa, mas apenas os primeiros são programas que não dependem do clima. Esta minha última estada foi quase que inteira debaixo de forte chuva, mas a programação gastro-cultural foi intensa.

Tirei proveito da campanha “Teatro para Todos” e comprei ingressos para várias peças, a preço de banana. Dou preferência a espetáculos que dificilmente viajarão, seja porque são verdadeiras superproduções (número de atores, música ao vivo, etc.), seja porque feitos para um espaço específico (foi o caso da peça Neguinha, que vi no primeiro semestre, no Casarão Austregésilo de Athayde, no Cosme Velho, onde era exibida para menos de 30 pessoas).

Desta vez, escolhi uma peça que está sendo encenada em uma antiga marcenaria situada dentro do Jardim Botânico, um belíssimo lugar: “A Máquina de Abraçar”. Escrita por José Sanchis Sinisterra, a peça lida de forma bastante original com o pouquíssimo tratado tema do autismo. Uma pesquisadora expõe, durante um congresso, os resultados de sua pesquisa com uma autista funcional, que chegou a escrever um livro sobre botânica. A platéia é acomodada em cadeiras giratórias de escritório, fixadas ao chão. Um corredor divide a platéia em duas partes e em uma de suas pontas, a tal pesquisadora fala do seu trabalho heterodoxo antes de apresentar, como um caso de sucesso, sua paciente. Sem contar muito, as coisas não saem como esperadas por nenhuma das duas personagens. Antes de entrar neste espaço, contudo, a platéia passa alguns minutos dentro de outro local (mas no mesmo galpão), contemplando instalações concebidas para o espetáculo. Um tanto experimental, a peça é um sucesso de crítica, com texto e atuações merecidamente elogiados.

Bem mais leve é “A História de Nós 2, com Gustavo Valle e Alessandra Richter, na pele de um casal e as diversas fases do relacionamento (desde o início do começo até o fim do fim). Sem grandes pretensões, o texto (de Lícia Manzo, indicado ao Prêmio Shell) diverte, é despretensioso e, o que é melhor, sem ofender a inteligência da platéia. Sucesso de público, há quase um ano em cartaz, vale a pena ser visto.

A pretexto de comemorar o ano França-Brasil, o musical “Oui Oui... a França é aqui” é engraçadíssimo. Contando com um elenco de excepcionais cantores/atores, este samba-do-crioulo-doido, em que a Torre Eiffel, o Cristo Redentor e até São Sebastião contracenam com pessoas reais, explora a influência francesa sobre o Rio de Janeiro e, no meio do caminho, quase mata de rir a platéia.

A montagem de “A Farsa da Boa Preguiça”, de Ariano Suassuna, que está em cartaz no Rio é, segundo a Bárbara Heliodora, a melhor já feita no país. Vimos o espetáculo no Teatro Carlos Gomes e também nos divertimos muito.

Finalmente, “O Despertar da Primavera”, a mais nova peça (e sucesso) da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho (Beatles Num Céu de Diamantes, Avenida Q, A Noviça Rebelde, Sassaricando, Gloriosa, 7 – O Musical entre outros). É a montagem brasileira do musical da Broadway que, em 2006, faturou 11 prêmios Tony. Segundo o programa, não se trata de mera réplica do montagem original, já que os consagrados diretores brasileiros receberam autorização para realizarem uma nova direção, o que é fato inédito. Baseado em peça escrita em 1891 por Frank Wedekind e que permaneceu censurada até 1974, data de sua primeira montagem sem cortes em Londres, trata da descoberta da sexualidade por jovens alemães que viviam em ambiente (escola/família) extremamente repressor. Uma verdadeira superprodução - 21 atores e 8 músicos, cenários e figurinos caprichados, programa luxuoso – é o tipo de peça que dificilmente poderá ser visto fora do eixo Rio-SP. Merecido sucesso, que já teve temporada prorrogada duas vezes.

O casal principal de "O Despertar da Primavera"



Escrito por Bruno Rabello às 10h23
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Eu no Carioca da Gema

Foto tirada em janeiro de 2004: Teresa Cristina, João Callado, Eu e Pedro Miranda



Escrito por Bruno Rabello às 09h33
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Ode ao Carioca da Gema

Diante do sucesso e da popularização de um lugar – seja uma praia, um bar, ou um “novo” ponto turístico – há sempre aqueles que dizem que “antes é que era bom”, que “agora tudo está desfigurado” ou algo do tipo. Não é diferente com a Lapa. Ao mesmo tempo que é exaltada pela popularização do samba entre as novas gerações, é acusada pela sua branquelização... Acho este papo de uma chatice sem tamanho. Se o bairro virou lugar de azaração, ponto de mauricinhos e patricinhas, atraindo turistas de todos os lugares, a boa música nunca deixou de reinar absoluta; e, se não é o que atrai todos, quem a procura dificilmente se decepciona.

Sou freqüentador assíduo da região há pelo menos uns sete anos, desde o início de seu “renascimento”. A primeira vez que estive lá, fui levado pelo Geraldo (Santa Maria do Improvável!!), ao Antiquário, que ficava na Rua do Lavradio, n. 100 e que, como o nome diz, funcionava como antiquário de dia e roda de samba de noite. Fiquei tão encantado com o lugar que voltei no dia seguinte, levando a Sílvia Rubião que, se bem me lembro, também saiu maravilhada. Desde esse final de semana, passei a incluir o bairro em praticamente todas as minhas estadas no Rio.

Assinante de O Globo há vários anos, fiquei curioso ao ler sobre uma excepcional cantora, que lotava os bares Semente e Carioca da Gema. A primeira vez que tentei assistir a um show seu, não consegui entrar no Semente, lotado. Mas não demorou muito para que eu, insistente, a visse no palco do Carioca da Gema, bar que se tornou um dos meus lugares favoritos na terra. Seu nome? Teresa Cristina. Sempre acompanhada pelo excepcional Grupo Semente.

O Carioca da Gema fica num casarão antigo, na Mem de Sá, uma das principais ruas da Lapa, bem perto dos Arcos. Pé direito alto, parede de tijolo à vista, a letra da música que deu nome à casa (de Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro) escrita em um fundo preto, astral nas alturas, samba da melhor cepa, tudo contribui para o sucesso do ponto.

Já perdi a conta do número de vezes que estive lá e também do número de pessoas que levei. Se alguém não gostou, fingiu bem e, por consideração, não me disse. Nem mesmo a superlotação chega a incomodar muito. Aliás, todas as últimas vezes que estive por lá consegui uma boa mesa, podendo mesmo dizer que desenvolvi uma técnica para tanto. Não vou entregá-la aqui, mas garanto que não envolve dinheiro.

Mesmo lotado, é incrivelmente bem servido, já que os garçons são craques em vencer a multidão com baldes de cerveja. Aliás, este bom serviço já contribuiu para alguns porres homéricos, daqueles de não me lembrar de como cheguei em casa! Pagar a conta, contudo, pode ser algo muito difícil e aqui eu dou a dica: fazer isso um pouco antes do final do show (geralmente são três sets e o último termina lá pelas três e meia).

Com a revitalização da Lapa, muitos outros bares surgiram. O Rio Scenarium tomou a dianteira como o point da moda, formando imensas filas; dizem que hoje o melhor agito é o do Mas Será o Benedito (onde estive na última 2ª-feira), mas sempre preferi o Carioca da Gema, mais intimista e aconchegante.

Desde que Teresa Cristina estourou (lançou CDs, DVDs, tornou-se nacionalmente conhecida, rodou o mundo) achava que deixar de cantar na noite da Lapa era um caminho não apenas previsível, como natural. Assim, vê-la, ainda hoje, animando as noites de 6ª-feira é algo surpreendente. Tudo bem que nesta última, ela, mãe recente, tenha dado às caras em apenas um dos três sets do show principal, deixando que Pedro Miranda conduzisse o show nos outros dois (o primeiro e o último).

Isso, no entanto, está longe de ser um problema, pois ele é talentosíssimo, um dos melhores entre os grandes sambistas da nova geração. Seu jeito de malandro, debochado e malicioso, retrata bem o espírito do Rio e do bairro. Já fui a tantos shows do grupo que posso dizer que Pedrinho me trata com especial deferência, cumprimentando-me e à Vânia quando nos vê do palco e trocando algumas palavras nos intervalos. Ao lançar seu primeiro e excelente CD solo, fez questão de me agradecer, já que eu sempre lhe cobrei o disco (acabo de comprar o segundo CD, também aclamado pela crítica, mas ainda não tive tempo de ouvi-lo).

Minha paixão pela Lapa me tornou arredio a conhecer rodas de samba de BH ou de Brasília que muita gente me diz serem muito boas. Talvez as freqüentasse se a sede de um bom samba me apertasse muito o peito... Mas que vai ser difícil encontrar algo tão bom quanto as do Rio, e em especial o do Carioca, isso vai...



Escrito por Bruno Rabello às 19h52
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